Menina Má – Resenha

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Depois de muita demora finalmente terminei o livro Menina Má de William March.
A demora foi totalmente culpa minha e não porque o livro era chato.
O livro foi publicado originalmente no ano de 1954, causando muita polêmica pelo seu tema tratado: psicopatia infantil.

A editora Darkside mais uma vez fez um trabalho impecável (dessa vez sem nenhum erro de digitação – diferente de Onde Cantam os Pássaros). O livro é em capa dura e tem seu próprio marcador azul em cetim (aquelas linguinhas sabem).

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Acabei assistindo o filme (baseado no livro) primeiro e garanto que não estragou a leitura. Tem algumas diferenças básicas entre o livro e o filme (acho o livro infinitamente melhor por causa dos detalhes) e caso alguém tenha interesse vou deixar o trailer para vocês.

Agora sim, vamos falar do livro!

CUIDADO PODE CONTER SPOILERS!!!!!!

Como eu já disse antes a história tem como tema a psicopatia infantil e a sugestão do autor de que a maldade nasce com a gente.
Nos temos a pequena Rhoda, uma linda criança de 8 anos com carinha de anjo, uma educação incrível e muita maturidade. Todos os adultos a adoram. Mas a mãe de Rhoda sempre estranhara o fato da filha sempre ser isolada e nunca brincar com as outras crianças. Um dia em um piquenique na escola de Rhoda, um garotinho morre e é aí que a coisa começa a pegar de verdade.
Passamos o livro inteiro pensando se uma criança de 8 anos realmente é capaz de ser cruel. E eu pelo menos tentei até compreender a frieza de Rhoda conforme fui lendo.
Terminei o livro sentindo medo de criança. Afinal um adulto psicopata, pode demorar mas acabamos descobrindo. Mas uma criança não, ninguém imagina que uma criança possa matar.

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Teve algo que me incomodou um pouco no livro que é quando o autor sugere que a psicopatia é passada geneticamente e uma pessoa pode já nascer com índole cruel. Não sou experiente da área de psicologia então não posso ter uma certeza, porém atualmente dizem que além da possibilidade genética a psicopatia também pode existir por conta de traumas na infância, pelo ambiente que a pessoa cresceu, a forma pela qual foi educada. Enfim, diversos fatores. Mas entendo que em 1954 provavelmente nem sequer existia o termo “Psicopatia”. E até hoje, em 2016, ninguém dá uma resposta exata a respeito de psicopatia.

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O livro tem uma pegada de suspense semelhante a Psicose, tanto é que se tornou meu favorito. E espero que a Darkside invista mais em livros no estilo.
A leitura é fácil e os personagens são muito cativantes. Os capítulos são longos mas tão bem escritos que você não se dá conta que leu umas 20 páginas em um só capítulo.
O livro tem 272 páginas então é bem rápido de ler.

Dou nota máxima em tudo. E super indico ele pra todos vocês que gostam do gênero.

Trailer do filme:

Por hoje é só

Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

Vício: The Knick

Fazia muito tempo que eu procurava uma série médica que realmente me cativasse. Tentei com House e acabei abandonando depois de umas 5 temporadas, tentei Grey’s Anatomy e também abandonei depois da 4 temporada, depois fui pra Heartbeat, mas como foi cancelada já quem quis mais ver e então em um belo dia de sol veio The Knick.

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Antes de tudo preciso dizer que The Knick é completamente diferente de Grey’s Anatomy embora sejam do mesmo tema: medicina. Depois de assistir acho que House é a série que mais se compara da The Knick, porém acho que a última é um pouco mais brilhante e já explico o motivo.

Meu interesse pela série começou em uma dessas premiações de série que tiveram no começo do ano. Clive Owen estava concorrendo no Critics Choice Awards (acabou perdendo pro Rami Malek da outra série considerada por muitos excelente Mr Robot), então na hora de mostrar quem eram os indicados passava um trechinho da série em questão para mostrar a atuação do indicado. E The Knick foi uma das séries que passou. Na época gostei demais do trailer porém não tinha pegado o nome da série e fiquei meses tentando achar pelas internets da vida. E acabei finalmente a encontrando na lista de pilotos que faziam parte de um dos projetos do site Banco de Séries.
Na hora já fui baixando o primeiro episódio. E então quando o assisti, além de ter dado aquela sensação de alívio na ansiedade, também me fez ter um rápido vício.
Eu simplesmente devorei a série em questão de poucos dias. Eu não tenho o hábito de fazer maratonas assistindo mais de 5 episódios por dia, geralmente minha enxaqueca ataca muito antes. E essa série confesso que me fez escolher muitas vezes entre dormir ou assistir o próximo episódio.

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O grande diferencial dessa série é a incrível semelhança com coisas que realmente aconteceram nos anos antigos na medicina. É praticamente uma aula de história. E bacana sentir aquele choque ao ver o médico usando cocaína no paciente, afinal hoje em dia sabendo do alto teor de vício que a substância causa. Assim como heroína, láudano, éter e entre outros.
O que mais deve chocar é a falta de equipamentos (inclusive muitos vão sendo criados no decorrer da série) e até higiene apropriada, embora os médicos lavem bem as mãos antes de começar as cirurgias o fato de não usarem uma máscara e luvas já causa um arrepio.

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(era literalmente um cenário teatral onde qualquer pessoa podia chegar e assistir uma cirurgia ser feita)

A série também aborda de maneira suave embora crítica assuntos como aborto, violência, racismo, importância da mulher na sociedade, doenças psicológicas, vícios e até religião.

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(Carruagem de antigamente e a carruagem da série, eram assim as ambulâncias)

A direção fica por conta de Steven Soderbergh. No elenco temos Clive Owen (no papel que eu considero um dos melhores da carreira dele) como Dr. John Thackery, que na série é tido como um verdadeiro ‘deus’. O ser perfeito e genial. Que com o tempo prova-se ser quase digno do título que recebe.

O que mais me impressionou na série foi o realismo das cenas. Eu tinha frequentemente a sensação que estavam realizando cirurgias de verdade com sangue de verdade. Tanto que no pilot que precisei pausar algumas vezes para respirar e segurar a vontade de vomitar com todo aquele sangue que tinha.

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O hospital da série é inspirado no The Knickerbocker, que existiu em NY lá nos anos 1900 mais ou menos. Thackery (o protagonista e personagem interpretado pelo Clive Owen como disse anteriormente) é inspirado no médico Dr.William Stewart Halsted, um dos fundadores do hospital John Hopkins. Considerado um dos melhores hospitais do mundo.

Uma coisa legal pra falar é que antes da série eu tinha aquela visão romântica dos anos anteriores. Um pouco por causa das roupas que usavam, que eu acho lindo aqueles vestidões, e outro pouco por causa de novelas e filmes de época que sempre mostram apenas o lado bom e doce dos anos 1900 – 1930. The Knick praticamente deu uma facada nesse meu pensamento e agora afirmo com toda certeza que ainda bem que estamos em 2016. Embora muita coisa não tenha mudado tanto em comparação com aquela época – leia -se pensamento da sociedade.

Acho que já vendi bem o peixe da série haha
Eu realmente espero que vocês assistam, tem poucos episódios, apenas 20 até agora. Sendo 10 em cada temporada.

Vou deixar o trailer aqui e depois me digam nos comentários se vocês gostaram da série assim que nem eu.

Por hoje é só!

Um beijo no queixo
Annie Bitencourt