Precisamos Falar: Ansiedade

0

Um tempo atrás fui diagnosticada pela minha psicóloga com transtorno de ansiedade generalizada. A definição você pode encontrar facilmente em qualquer site no google ou livros de psicologia e revistas específicas. O post não vai falar nada de maneira científica mas sim o ponto de vista de uma pessoa que tem ansiedade. No caso eu.

A foto a seguir mostra um pouco a diferença enorme entre uma preocupação normal e TAG.

É absolutamente normal uma pessoa ter uma sensação ansiosa em algum momento na vida. Uma entrevista de emprego, por exemplo, que pode dar aquele frio na barriga horas antes. Ou um dia de prova.
Nesses casos é justamente o corpo se preparando para enfrentar aquele desafio.

Antes gostaria de falar algo super interessante para vocês: mecanismo de luta e fuga.

Sabe quando você está em uma situação de risco? Vamos imaginar um assalto, por exemplo. O corpo vai reagir de duas maneiras: você enfrenta a situação (luta) ou foge dela (fuga).

“Como acontece
O sistema nervoso simpático é ativado devido à súbita libertação de hormônios, que estimula as glândulas supra-renais provocando a libertação de catecolaminas (adrenalina, noradrenalina e dopamina). Resultado, frequência cardíaca acelerada, pressão arterial aumentada e frequência respiratória acelerada . Após a ameaça desaparecer, leva entre 20 a 60 minutos para o corpo a voltar aos seus níveis normais.” (fonte: http://www.vladman.net/blog/o-mecanismo-da-luta-ou-fuga) .

Eu quando tenho crises extremas de ansiedade acabo sofrendo justamente isso: frequência cardíaca acelerada, pressão arterial aumentada e frequência respiratória acelerada. Mas com uma diferença: o tempo de duração. Afinal de contas meu cérebro fica em estado de alerta o tempo inteiro (ou maior parte do tempo) então o mecanismo de luta e fuga fica ali ativo direto. Às vezes tem-se também um congelamento (que é ficar sem reação nenhuma em situação de risco).

Coisas do tipo: “Viagens de última hora” “Problemas financeiros” “Problemas familiares” “Doenças” viram um verdadeiro pesadelo pra mim.

Vou contar uma situação um pouco recente.

Fui viajar pra São Paulo nas férias de julho junto de meu namorado. Até aí tudo bem. Meu namorado estava ansioso com a viagem. Eu estava enlouquecendo com a viagem. Na minha cabeça vinham pensamentos do tipo “Será que vou conseguir colocar todas as roupas que preciso na mala? Será que vai chover lá? Ou fazer muito frio? Ou muito calor? Será que é muito perigoso? Será que não vamos nos atrasar pra chegar na rodoviária? Provavelmente vamos nos atrasar, vou tentar dormir mais cedo pra conseguir terminar de organizar tudo de manhã e ajudar meu namorado a se organizar também. Acho que não vou conseguir dormir. Acho que não vou conseguir acordar a tempo. Acho que vamos perder o ônibus. Será que vão esperar a gente na rodoviária? E se nos assaltarem? Se esquecerem de nos pegar na rodoviária? Será que tem algum hotel barato por perto? …..” 

Esses pensamentos ficavam em um ciclo enorme. Então eu começava a roer as unhas, a morder a boca e já tive momentos de ficar puxando os pelos da sobrancelha. E os pensamentos nunca iam embora. Tive momentos de insônia por ficar pensando direto e mesmo sabendo como ficar mais tranquila (tem todo um esquema com a respiração e tal, meditação também) ainda assim ficava horas com os olhos bem abertos.

A situação piora muito mais quando alguém chega pra você em uma crise ansiosa e larga a seguinte frase: ” SE ACALMA” 

Acreditem em mim. Em uma crise ansiosa (caso você conheça alguém que tenha TAG) não adianta só falar para pessoa se acalmar. Ela provavelmente já tentou isso, várias e várias e várias vezes.
Eu, por exemplo, tento o máximo mudar o foco do pensamento (quase 2 anos de terapia). É praticamente como uma obsessão, mudando o foco o pensamento continua a obsessão mas dependendo do assunto que eu foco acaba de certa forma me acalmando. Às vezes tento pensar em alguma cena que eu achei divertida em um filme e forço muito para esse pensamento ficar fixo ao invés do que me deixa nervosa. E posso falar que essa minha tática funciona quase sempre. Na maioria das vezes. Comecei a dormir melhor depois de fazer isso e os episódios de estresse já diminuíram bastante.

Só para vocês terem uma ideia eu sou cheia de fobias.
* Baratas e insetos em geral (começo a chorar e muitas vezes ou não consigo me mexer ou saio correndo).
* Dor (o que me impede demais de fazer consultas anuais e ir em dentista por exemplo).
* Sangue (eu desmaio).
Etc…

Era bem pior lá pra 2014/2015 mas minha psicóloga está nessa luta junto comigo e eu já consegui perder alguns medos que simplesmente faziam minha vida ficar horrível.
Hoje eu já consigo pegar elevador e falar com pessoas estranhas. E depois de alguns meses até fazer uma extração em um dentista eu consegui (isso mesmo, levando anestesia e tudo).
Existem alguns momentos que tudo piora e nada parece me tranquilizar.

Com o tempo aprendi a conviver com isso. Algumas pessoas tomam remédios e tal mas eu apenas faço terapia e busco mil e uma alternativas.

Espero que esse post tenha esclarecido um pouco aqueles que nunca passaram por tal situação. Ou justamente para os que vivem com isso e se sentem um pouco perdidos.

Levar uma vida mais tranquila e se dedicar a meditação, pintura, escrita qualquer coisa relaxante ajuda e muito.

E é sempre bom ter alguém de confiança por perto em momentos de crise.

Por hoje é só
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

Ps1.: No site do Drauzio Varela tem mais detalhes e explicações mais científicas. Sugiro vocês pesquisarem também em outros sites caso tenha ficado outras dúvidas.
Ps2.: Espero ter ajudado alguém 🙂

Precisamos Falar: Intolerância a Lactose (001)

0

Creio que já tinha criado aqui no blog uma espécie de “Precisamos Falar Sobre” que acabou causando polêmica e não tive paciência na época para os odiadores de plantão e acabei desistindo desse estilo de postagem. Agora depois de uns 2 anos (acho), resolvi ressuscitar o meu favorito motivo de tretas. Porém dessa vez não terá tretas. O novo Precisamos Falar será sobre coisas que eu acho interessante mais gente saber. E para estrear eu escolhi falar de Intolerância a Lactose, um tema que eu tenho bastante experiência.

01 – O que é Intolerância a Lactose?

Como o nome diz é intolerância a lactose , brincadeira, é a incapacidade do corpo de digerir a lactose (um açúcar encontrado no leite e seus derivados). A pessoa que tem intolerância ela não tem a enzima lactase no corpo.

02 – O que é lactase?

a principal função da enzima é quebrar as moléculas da lactose e depois convertê-las em galactose e glucose (biologia de ensino médio gente).

03 – O que acontece com uma pessoa que tem intolerância a lactose?

Isso é o que acontece
Falando sério agora, os principais sintomas são diarreia, náusea, dor abdominal, inchaço e vários gases. Mas a intolerância tem seus níveis também. Em alguns casos os sintomas são mais tranquilos e em outros a pessoa fica bem mal mesmo.

Eu tenho esse probleminha chato desde que nasci, porém agora com uns 19/20 anos eu passei a realmente ter sintomas bem fortes de intolerância. Cheguei a passar umas duas semanas com enjoo, vômitos e dor sem entender o motivo de estar tendo aquilo. Depois de um bom tempo que percebi que poderia ser intolerância a lactose e desde então passei a diminuir o consumo de leite. Porém isso não foi o suficiente, atualmente eu sinto os sintomas tomando meio copo de leite. Minha solução foi começar a tomar leite sem lactose. E apenas em último caso tomo leite com lactose se não tiver outra opção. Minha vida ficou muito melhor e agora eu realmente tenho uma certa preocupação toda vez que quero tomar algo que contenha leite.

Sinto falta de mais rótulos nos mercados indicando quais produtos tem ou não lactose (que nem essa do glúten). Aos poucos as opções de alimentos estão melhorando, já tem chocolate (ruim pra caramba mas tem), leite condensado, leite normal, yogurte.

Inclusive quero agradecer muito as marcas Piá e Piracanjuba pois são as que mais tem produtos voltados para os intolerantes. Pelo menos aqui onde moro. Já tem também marca de sorvetes aqui (também ruim, mas quebra o galho). E tem a opção de comprar a enzima lactase (que custa em torno de uns 50 reais) e você não precisar sair catando produtos específicos no mercado.

E para quem gosta tem as opções com soja (o bom, velho e caríssimo ADES).

Infelizmente não existe tratamento para intolerância a lactose. Mas se aprende a conviver tranquilo com isso.

Por hoje é só
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

Ps1.: Difícil é explicar para os parentes que você não pode tomar leite, eles sempre vão entender que é frescura.