FILMES / A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

 

Título Original: The Guernsey Literary & Potato Peel Pie Society
Direção: Mike Newell
Roteiro: Don Roos, Thomas Bezucha, Kevin Hood
Elenco: Lily James, Matthew Goode, Katherine Parkinson

Sinopse: Juliet Ashton (Lily James) é uma escritora na Londres de 1946 que decide visitar Guernsey, uma das Ilhas do Canal invadidas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, depois que ela recebe uma carta de um fazendeiro contando sobre como um clube do livro local foi fundado durante a guerra. Lá ela constrói profundos relacionamentos com os moradores da ilha e decide escrever um livro sobre as experiências deles na guerra.  (fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-196612)

 

Nossa! Eu não sei nem como começar a falar desse filme!
Ontem de noite estava procurando alguma coisa interessante pra assistir com meu namorado e depois de duas tentativas acabamos desistindo de ver filme ontem. Meu namorado terminou a noite jogando Zelda no Switch e eu fiquei dando umas olhadas no catálogo da Netflix até que me deparei com um filme de noite diferente: A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata. Na hora nem li a sinopse e muito menos vi trailer, apenas pensei que fosse gostar do filme justamente pelo nome. Por algum motivo me passou uma sensação de Sociedade dos Poetas Mortos e eu já fiquei apaixonada de cara.

Hoje, enquanto fugia da programação terrível da televisão aberta em dia de domingo, decidi ver o trailer do filme, mas tinha chegado a conclusão que só iria assistí-lo amanhã. Vi o trailer e aquele bando de sotaque britânico me convenceu a conectar meu chromecast e passar duas horas assistindo esse filme de nome engraçado.

O filme é delicado, doce e romântico na medida certa. Me passou aquela leveza que só tinha sentido assistindo Orgulho e Preconceito (versão com a Keira Knighley) e ouso dizer que esse filme agora vai ocupar um lugar quentinho perto dos meus filmes favoritos.

É mostrado, um pouco pincelado eu diria, a crueza da 2ª Guerra, mas nada estilo A Menina Que Roubava Livros. A personagem de Lily James é um doce e o fato dela querer contar a história daquelas pessoas que ela mal conhecia me fez ficar encantada demais.

O roteiro me lembrou um pouco um outro filme, inclusive com Matthew Goode no papel principal, chamado Casa Comigo, um dos meus romances favoritos também, com aquela coisa de “mulher fica noiva, viaja pra lugar x, conhece um cara mil vezes mais interessante/bonito/engraçado/legal , se arrepende do noivado, volta pro noivo, terminar o noivado, corre atrás do cara interessante/bonito/engraçado/legal”.  Isso realmente não é nada novo nesse gênero cinematográfico. Mas isso não é necessariamente algo ruim. Pois não é apenas sobre isso que Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata se trata. A nossa protagonista além de contar sua própria história, busca também dar voz àquelas pessoas e talvez seja por isso que o filme tenha me conquistado tanto.

Nós temos o romance, nós temos personagens adoráveis, personagens não tão adoráveis assim, uma história triste mas no final tudo fica bem. Todos ficam felizes. E muitas vezes a gente precisa apenas de uma história simples assim para confortar e aquecer o coração. Eu super indico!

 

FILMES / Um Lugar Silencioso

Título: Um Lugar Silencioso
Título Original: A Quiet Place
Roteiro: John Krasinski
Direção: John Krasinski
Elenco: John Krasinski, Emily Blunt, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Cade Woodward
90 minutos

Sinopse: Uma família vive numa casa de campo, em absoluto silêncio e se comunicando através de sinais, na tentativa de sobreviver à uma ameaça desconhecida atraída por sons.

 

 

Como começar a falar do filme que é um dos melhores no gênero de terror?
Fazia muito tempo que não via uma ideia tão original dentro do terror (consigo lembrar de Get Out como filme mais recente). Ultimamente com tantos reboots, remakes e sequências fica bem difícil ir no cinema para assistir um filme.

Não tenho nada contra reboots, remakes e sequências, inclusive gosto muito, mas acredito de verdade que temos ideias boas que infelizmente estúdios não compram com medo de não render dinheiro. O que definitivamente não é o caso de A Quiet Place (que já tem até sequência confirmada).

Me surpreendi de verdade com o filme. Já tinha ficado bastante apreensiva com os trailers que assisti mas não conseguia entender como o silêncio poderia causar tensão, afinal de conta usamos dele para relaxar em muitas situações.

E Jim Halpert  John Krasinski não decepciona nem um pouco. Talvez os que gostem de tudo mastigadinho em tela. O filme dele (o cara ocupa a direção, roteiro e atua, além de botar a própria esposa como protagonista também) se preocupa bastante em contar a história através da imagem. Detalhes pequenos na cena explicam bastante (principalmente no comecinho).

Ele faz um ótimo uso do silêncio, e as poucas cenas com som me faziam relaxar e me preparar para o próximo momento de tensão. Meu namorado precisava ficar me avisando que estava tudo bem respirar aqui fora haha

 

 

 

E quando eu disse acima que aqueles que gostam de tudo mastigadinho não iam gostar eu estava falando a respeito dele não explicar detalhadamente a origem do perigo (que talvez venha num filme ‘prequel’). Apenas mostra o básico e deixa tua imaginação completar o resto.

Apenas uma situação especial me deixou um pouco chateada com o filme (aquele tipo de coisa que se a gente traz pra vida real meio que não faz sentido) mas não tira nem um pouco o brilhantismo dele.

Não sei se irei ver a futura sequência, e acredito de verdade que esse filme deveria ser único.

Espero que venham mais filmes de Krasinski (esse cara tem a cabeça perturbada haha). Ou que algum outro comediante (tanto Krasinski quanto o Jordan Peele de Get Out são comediantes) apareça com uma ideia tão boa ou melhor para o terror.

Indico também para vocês:

Get Out
It Follows
(que já comentei aqui no blog)
A Bruxa (
que chegou recentemente na Netflix, e em breve sai aqui no blog uma review)
A Entidade

O Segredo da Cabana (que faz mais um estilo cômico que homenageia vários trash de terror clássicos)
Invocação do Mal
Babadook

E lembrem-se:

 

Ps.: Não coloquei o trailer pois percebi que os últimos posts ficaram um pouco bugados com os vídeos. Não sei se é problema no wordpress ou algo que fiz errado.

Por hoje é só!
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

 

FILMES / Com Amor, Van Gogh

Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent)

Não recomendado para menores de 14 anos

Elenco: Chris O’Dowd, Aidan Turner, Douglas Booth, Eleanor Tomlinson e Saoirse Ronan
Direção: Dorota Kobiela e Hugh Welchman
Roteiro: Dorota Kobiela, Hugh Welchman e Jacek Von Dehnel
Título Original: Loving Vincent

Sinopse: Investigação aprofundada sobre a vida e a misteriosa morte de Vincent Van Gogh através das suas pinturas e dos personagens que habitam suas telas. Animado com a técnica de pintura a óleo do pintor holandês, os personagens mais próximos são entrevistados e há reconstruções dos acontecimentos que precederam sua morte. (fonte: FILMOW)

Gente eu nem sei por onde começar! Que filme maravilhoso!
Não sei se já falei aqui antes mas eu sou super apaixonadinha pela pinturas de Van Gogh…

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Vi que esse filme estava na lista dos indicados ao Oscar e decidi assistir. Fiquei apaixonada de cara mas ainda sim teve uma coisinha que me incomodou no filme.

De início assumo que o filme é extremamente criativo. E deve ter dado uma trabalheira enorme pra fazer. Esse é o maior mérito de Loving Vincent.

Alguns personagens são cativantes e o protagonista achei muito chato, cada cena com ele era uma tortura pra mim não sei se por culpa do roteiro ou do ator. A história se passa depois da morte de Vincent e em alguns flashbacks da vida do pintor no filme tem o retrato exato de suas pinturas

Como por exemplo nessa cena do gif acima. É possível reconhecer cada trabalho dele em algumas cenas.
O filme questiona se de fato Van Gogh se suicidou ou se talvez não teria sido vítima de algum outro pintor frustrado mas não nos oferece uma solução no final. E talvez por isso eu tenha achado o roteiro tão fraco.
Algumas pessoas provavelmente irão achar o filme um pouco cansativo, mas eu recomendo de verdade que deem uma chance maior, um trabalho visual tão bem feito como esse merece nosso tempo.

Com Amor, Van Gogh tem apenas 98 minutos de duração mas eu senti que tinha só meia hora. Não vi o tempo passar enquanto assistia ao filme e pra mim isso é um ponto extremamente positivo.

 

No geral como fã de Van Gogh o filme me agradou muito e é uma boa pedida para quem é fã do artista e curte animações diferentes.

Loving Vincent é triste, mas muito inspirador e motivador. Aprendemos um pouco mais sobre como era Vincent Van Gogh, irritante para alguns e a pessoa mais amável de todas para outros. Um artista que infelizmente não teve a chance de ver as pessoas gostando dos seus trabalhos.

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Espero que gostem do filme assim como eu gostei!

No site: Vincent Van Gogh – The Complete Works vocês podem conferir mais sobre o incrível trabalho dele.

Curiosidades: A série Doctor Who fez um episódio também homenageando Van Gogh, sou suspeita a falar mas acho esse o melhor episódio da era moderna. Quem quiser conferir é o episódio 10 da 5ª temporada chamado Vincent And The Doctor.

Deixe nos comentários suas sugestões de filmes para os próximos Pipoquinhas. Lembrando que o Pipoquinha Animação é diferente do Vai Uma Pipoquinha Aí?
Nessa categoria serão APENAS animações, não necessariamente infantis. 😉

 

Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

FILMES / Raw

 

Raw

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 18 ANOS

Elenco: Garance Marillier, Ella Rumpf, Rabah Nait Oufella
Direção: Julia Ducournau

Sinopse: Na família de Justine, todos os integrantes trabalham com a área veterinária e são vegetarianos. No entanto, assim que Justine pisa na escola de veterinária, ela acaba comendo carne. As consequência deste ano logo serão sentidas e chocarão toda a família.

 

Esse foi o filme bom mais nojento que eu já vi em toda a minha vida (o outro filme foi O Albergue, mas esse não é bom).
Eu fiquei completamente chocada com tudo que eu assisti. Na sinopse sugere que a protagonista seja canibal e até ai tudo bem afinal depois de tantos anos assistindo filmes de terror canibalismo não me choca mais.
Mas existe uma diferença gritante entre um filme americano abordando a temática de canibalismo, onde tudo já é exagerado e o terror está explícito na tela o tempo inteiro e um filme com alta carga dramática em muitas cenas e aquelas pinceladas borradas de gore.

Para vocês terem uma ideia em uma das cenas a protagonista come um dedo, o que não deveria causar impacto em quem passou um bom tempo assistindo Jogos Mortais, por exemplo, mas o modo que a cena de fato acontece dá um arrepio na espinha.

A atuação da Garance Marillier tá incrível, ela começa com uma expressão facial dócil, de uma menina inocente, aparentemente estudiosa, obediente e lentamente vemos a transformação, o olhar começa a ficar assustador (o legítimo olhar de predador para uma presa, aquela coisa fixa sem piscar nenhuma vez), os movimentos outrora sutis começam a ficar mais violentos e pesados. E arrisco a dizer que tenha um pouco de frieza também.

Mas ela não é uma psicopata, o filme não se trata de psicopatas canibais. Pelo que notei o canibalismo dela é tratado como uma diferença apenas. Algo fora do padrão no DNA da família (sim, a mãe e a irmã também gostam de comer gente) como se fosse uma coisa ‘normal’.

O filme incomoda quem tem uma sensibilidade maior e não satisfaz a fome dos que gostam de muito gore. Além de ter alguns detalhes (talvez falhas) no roteiro que me fizeram questionar certas cenas.

No geral é um filme bom. Com uma fotografia boa, uma direção mediana, um roteiro igualmente mediano e uma atuação acima da média.

O filme está disponível na Netflix

Trailer

Por hoje é só
Um beijo no Queixo
Annie Bitencourt

FILMES / A Forma da Água

 

A Forma da Água

Elenco: Sally Hawkins, Doug Jones, Octavia Spencer, Michael Shannon
Gênero: Romance/Fantasia
Direção e Roteiro: Guillhermo Del Toro

Sinopse: Uma história de amor num mundo mágico e misterioso na América em 1963. Elisa é uma zeladora muda que trabalha em um laboratório onde um homem anfíbio está sendo mantido em cativeiro. Quando Elisa se apaixona pela criatura, ela elabora um plano para ajudá-lo a escapar com a ajuda de seu vizinho. O mundo exterior do laboratório, no entanto, pode revelar-se mais perigoso para o homem anfíbio do que Elisa poderia ter previsto.

 

De início posso dizer que gostei bastante da fotografia que mantém o filme em um tom um pouco esverdeado (ou azulado?) que remete justamente a água. E que ajuda bastante a contar a história.
Não é todo mundo que conseguirá apreciar a beleza de The Shape Of Water, que vai um pouco além da simples história de amor. O filme também passa uma mensagem boa sobre aceitação do próximo.

Elisa é muda e por causa disso acaba sofrendo certos preconceitos (e não precisa ter nada explícito no filme para sabermos disso certo?) e acaba se sentindo bastante solitária, isolada justamente por não conhecer ninguém que seja exatamente igual a ela.
Giles é homossexual e assim como Elisa também se sente meio perdido nesse mundo, principamente nos anos 60 quando a homofobia falava aos berros.
Zelda, uma mulher negra em uma época extremamente racista.

Todos os três personagens passam uma imagem rápida de seres invisíveis no filme. Mas eles, no caso, são os verdadeiros protagonistas.

No primeiros 30 minutos Elisa tem o contato com a ‘criatura’ do filme. Um homem anfíbio que foi encontrado na floresta amazônica (acredito que seja na parte do Brasil) e é mantido em cativeiro em um laboratório. A tal criatura é fruto de interesse dos russos e dos americanos (aquela treta pesada que teve sabem) e creio eu que ambos o queriam como uma possível arma então estavam estudando tudo a respeito dele.
O responsável pela criatura é o Coronel Strickland, um homem nada amigável, bastante preconceituoso em todos os sentidos e que até assedia Elisa justamente por ela ser muda em um certo momento do filme. Só que esse moço simplesmente via o homem peixe como algo repugnante e no início do filme até cheguei a pensar que o tal peixão era um vilão em potencial.

Elisa então começa a se aproximar o peixão, e pela primeira vez se sente compreendida e aceita por ser quem ela é.

“O filme é bom?”

Essa é a pergunta difícil pra mim. A Forma da Água não é um filme ruim mas também não achei ele digno de uma nota máxima. A estética do filme é maravilhosa, as atuações estão muito boas, a maquiagem então nem se fala. O filme peca pelo roteiro. Que ao meu ver foi muito superficial, e por mais que o filme tenha 2 horas de duração eu terminei de assistir com a sensação de que faltava algo a mais.
Talvez mais detalhes da vida da Elisa ou de Giles ou Zelda. Não sei dizer, mas acabei ficando um pouco decepcionada.

Como se eu estivesse comendo uma comida muito boa mas em uma porção minúscula ou com um garfo ruim.

Vale a pena sim dar uma conferida em A Forma da Água nas telonas do cinema mas é preciso uma sensibilidade muito grande para captar de uma maneira mais completa o que Guillermo Del Toro quis passar.

Trailer

FILMES / As Sufragistas

 

As Sufragistas

Não recomendado para menores de 14 anos

Elenco: Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Meryl Streep
Direção: Sarah Gavron
Roteiro: Abi Morgan
Título Original: Suffragette

Sinopse: No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts, sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios. 

 

 

Sufrágio Feminino

O movimento pelo sufrágio feminino é um movimento social, político e econômico de reforma, com o objetivo de estender o sufrágio (o direito de votar) às mulheres.

Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a garantir o sufrágio feminino, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard.

As “suffragettes” (em português, sufragistas), primeiras ativistas do feminismo no século XIX, eram assim conhecidas justamente por terem iniciado um movimento no Reino Unido a favor da concessão, às mulheres, do direito ao voto. O seu início deu-se em 1897, com a fundação da União Nacional pelo Sufrágio Feminino por Millicent Fawcett (1847-1929), uma educadora britânica. O movimento das sufragistas, que inicialmente era pacífico, questionava o fato de as mulheres do final daquele século serem consideradas capazes de assumir postos de importância na sociedade inglesa como, por exemplo, o corpo diretivo das escolas e o trabalho de educadoras em geral, mas serem vistas com desconfiança como possíveis eleitoras. As leis do Reino Unido eram, afinal, aplicáveis às mulheres, mas elas não eram consultadas ou convidadas a participar de seu processo de elaboração.

O movimento feminino ganhou, então, as ruas e suas ativistas passaram então a ser conhecidas pela sociedade em geral pelo (à época, ofensivo) epíteto de “sufragistas“, sobretudo aquelas vinculadas à União Social e Política das Mulheres (Women’s Social and Political Union – WSPU) movimento que pretendeu revelar o sexismo institucional na sociedade britânica, fundado por Emmeline Pankhurst (18581928).

(Fonte: Wikipédia)

Emmeline Pankhurst

 

Na foto acima é mostrado o direito de voto conquistado pelas mulheres em cada país no mundo.

Imagem: Web

 

No Brasil

No Brasil as mulheres tiveram direito ao voto no dia 24 de Fevereiro de 1932. O presidente da época, Getúlio Vargas, assinou a lei que garantia esse direito para as mulheres.

“O decreto foi sancionado depois de muita luta e apelo político, mas veio dividido por partes. O voto permitido no decreto de 1932 restringia-se às mulheres casadas, com autorização dos maridos, e às viúvas e solteiras com renda própria. As barreiras foram totalmente eliminadas somente em 1934. Em 1946, uma nova lei passou a prever a obrigatoriedade do voto também para as mulheres, que até então era um direito, mas não um dever.

A discussão sobre o voto só chegou ao Congresso brasileiro em 1891, mas foi completamente rechaçada: a maioria dos deputados, alegando a inferioridade da mulher, alertou para um suposto perigo que o voto feminino acarretaria à preservação da família brasileira.

A bióloga Bertha Lutz, um dos maiores nomes na defesa dos direitos políticos das mulheres brasileiras, fundou a Liga pela emancipação Intelectual da Mulher, na década de 1920, com a anarquista Maria Lacerda de Moura. Além dela, Eugenia Moreyra, a primeira jornalista mulher de que se tem notícia no Brasil, era uma sufragista declarada em seus artigos, que continham frases como: “A mulher será livre somente no dia em que passar a escolher seus representantes”.” (Fonte: http://www.phbemnota.com/2016/03/por-daniele-neves-sufragio-feminino-um.html)

Eugenia Alvaro Moreyra (Fonte: Wikipedia)
Bertha Lutz

 

Eu decidi colocar um pouco de história aqui pois é fundamental ter conhecimento básico nesse assunto para compreender melhor o que o filme As Sufragistas quis passar.
É impossível não se emocionar com o que se vê em tela. Primeiro porque as mulheres sofriam muito no passado e precisavam fazer um verdadeiro estardalhaço para serem ouvidas. E segundo porque mesmo em 2018 ainda somos deixadas para trás por muitos homens. É incrível ver o quanto evoluímos desde a época que o filme se passa (se não me engano é 1912) até os dias atuais.
No filme a personagem da Carey Mulligan se vê obrigada em escolher entre o seu filho e seus direitos. Pois a partir do momento que ela se entende como sufragista o próprio marido a acusa de tê-lo envergonhado e não permite que ela veja o filho. Piora depois quando o mesmo afirma que não consegue dar conta de trabalhar e cuidar da criança e o leva para adoção.
E é aí, nesse momento, que a personagem de Mulligan abraça a causa e faz todo o possível para que ela e outras mulheres tenham o direito de voto.

Quando mencionei que seria mais fácil entender o filme com um pouco de história é justamente por causa da personagem de Meryl Streep, uma mulher chamada Emmeline Pankhurst, que como vocês puderam ver acima ela existiu e foi uma figura importante.

Quanto ao roteiro geral do filme eu achei bem ok. Mas me deu a sensação de que faltava alguma coisa. Não sei dizer se talvez poderiam ser mais informações reais ou outra coisa. Mas é bem válido dar uma pesquisada no assunto depois do filme.

Carey Mulligan atua muito bem e transmite emoções muitas vezes apenas com o olhar.

As Sufragistas está disponível na Netflix. Confira o trailer: