O Menino Que Desenhava Monstros / Resenha (LIVROS)

Em junho desse ano comecei a ler O Menino que Desenhava Monstros, Flocos veio e acabei não tendo nenhum tempo para ler e minhas leituras ficaram todas paradas. Felizmente no último mês, por causa do calor, a Flocos está menos ativa e nos momentos que ela ficava dormindo eu aproveitava para ler um pouco. E Quarta Feira passada eu terminei o livro.
“Ah Annie, por que não fez a resenha na semana passada então?”
Simples, hoje é feriado e nada melhor que ler uma resenha fresquinha nesse feriado não é mesmo?

Pois bem, vamos ao que interessa!

Mas antes devo dizer que as fotos que tirei do livro não ficaram muito produzidas pois eu sou péssima nessa parte de criar um cenário bonitinho para tirar fotos. O que importa é que vocês podem ter uma ideia do livro por dentro antes de irem comprar. Certo?

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Devo começar dizendo que a capa desse livro é maravilhosa. Tem alguns detalhes em auto relevo e algumas coisas escritas a mão. Ou pelo menos que parecem ter sido escritas a mão. Por dentro ele tem alguns desenhos, e tirando alguns erros de digitação graves o trabalho ao todo foi muito bom. Parabéns para Darkside novamente.
Sobre os erros de digitação teve alguns momentos que realmente dificultaram a compreensão da leitura. Erros do tipo “raposa” quando na verdade deveria ser “esposa”, erros de pronome em momentos onde deveria ser “ela” estava escrito “ele” o que novamente atrapalhava um pouco na leitura. Um dos erros eu comuniquei diretamente para a editora pois já não é a primeira vez que acontece isso. Se não me engano em Onde Cantam os Pássaros também tive problemas por causa desses erros de digitação.

A história gira em torno de Jack Peter, seus pais e seu único amigo. Também aparecem, embora com pouca frequência, os pais de Nick (o amigo de Jack).
Jack Peter é um garoto de 10 anos que tem a síndrome de Asperger e também sofre de agorafobia. Por causa disso ele passa o tempo inteiro dentro de casa e acaba adquirindo um hobby: desenhar.
Todo dia um desenho diferente sempre com seu amigo participando da brincadeira.
Um dia a mãe de Jack, Holly, ao tocar em seu filho enquanto tentava acordá-lo acaba levando um tapa e com isso começa a temer que a doença do seu filho esteja piorando.
Ela então tenta buscar ajuda do marido, cuja tranquilidade me incomodou diversas vezes na leitura, porém o mesmo acredita que o filho não está piorando e ela estava exagerando.
E Jack sempre desenhando. E desenhando obsessivamente.
Nick já começa a se incomodar com o excesso de Jack com os desenhos e toda vez que o visita acaba se sentindo entediado por ter que fazer a mesma coisa.
Então um monstro aparece. Uma criatura branca, grande que parece uma mistura de homem com algum animal selvagem. Tim (o pai de Jack) e Nick acabam vendo essa criatura. Holly começa a ouvir ruídos como se algo ou alguém estivesse tentando entrar na casa e Nick começa a ser assombrado por uns bebês nada amigáveis.

O desespero de Holly aumenta até que ela resolve pedir ajuda de um padre cuja assistente também tem autismo só que em um outro nível. E cada vez mais monstros, alucinações, barulhos e coisas bizarras vão acontecendo.
As histórias da assistente do padre me deram alguns calafrios. Numa das histórias ela fala dos yurei, os vulgos fantasmas japoneses. Eu realmente sugiro que deem uma pesquisada no google para uma explicação mais abrangente.

O final, literalmente a última página, tem uma reviravolta bem bacana. E embora a leitura no geral seja meio parada acaba compensando pelas últimas 50 páginas.
Não é uma história de terror. É um livro mais puxado para um drama talvez algum terror ou suspense.

CUIDADO O TEXTO ABAIXO TEM SPOILER LEIA POR SUA CONTA E RISCO.

Eu recomendo demais a leitura desse livro. Inclusive recomendo a leitura de todos os livros que já resenhei, até dos que “falei mal”. Afinal você só irá saber se vai gostar ou não se ler o livro. Não perca leituras apenas porque alguém disse ser ruim. 😉

Bom, por hoje é só
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

Menina Má / Resenha (LIVROS)

Vamos falar de Menina Má?

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Depois de muita demora finalmente terminei o livro Menina Má de William March.
A demora foi totalmente culpa minha e não porque o livro era chato.
O livro foi publicado originalmente no ano de 1954, causando muita polêmica pelo seu tema tratado: psicopatia infantil.

A editora Darkside mais uma vez fez um trabalho impecável (dessa vez sem nenhum erro de digitação – diferente de Onde Cantam os Pássaros). O livro é em capa dura e tem seu próprio marcador azul em cetim (aquelas linguinhas sabem).

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Acabei assistindo o filme (baseado no livro) primeiro e garanto que não estragou a leitura. Tem algumas diferenças básicas entre o livro e o filme (acho o livro infinitamente melhor por causa dos detalhes) e caso alguém tenha interesse vou deixar o trailer para vocês.

Agora sim, vamos falar do livro!

CUIDADO PODE CONTER SPOILERS!!!!!!

Como eu já disse antes a história tem como tema a psicopatia infantil e a sugestão do autor de que a maldade nasce com a gente.
Nos temos a pequena Rhoda, uma linda criança de 8 anos com carinha de anjo, uma educação incrível e muita maturidade. Todos os adultos a adoram. Mas a mãe de Rhoda sempre estranhara o fato da filha sempre ser isolada e nunca brincar com as outras crianças. Um dia em um piquenique na escola de Rhoda, um garotinho morre e é aí que a coisa começa a pegar de verdade.
Passamos o livro inteiro pensando se uma criança de 8 anos realmente é capaz de ser cruel. E eu pelo menos tentei até compreender a frieza de Rhoda conforme fui lendo.
Terminei o livro sentindo medo de criança. Afinal um adulto psicopata, pode demorar mas acabamos descobrindo. Mas uma criança não, ninguém imagina que uma criança possa matar.

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Teve algo que me incomodou um pouco no livro que é quando o autor sugere que a psicopatia é passada geneticamente e uma pessoa pode já nascer com índole cruel. Não sou experiente da área de psicologia então não posso ter uma certeza, porém atualmente dizem que além da possibilidade genética a psicopatia também pode existir por conta de traumas na infância, pelo ambiente que a pessoa cresceu, a forma pela qual foi educada. Enfim, diversos fatores. Mas entendo que em 1954 provavelmente nem sequer existia o termo “Psicopatia”. E até hoje, em 2016, ninguém dá uma resposta exata a respeito de psicopatia.

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O livro tem uma pegada de suspense semelhante a Psicose, tanto é que se tornou meu favorito. E espero que a Darkside invista mais em livros no estilo.
A leitura é fácil e os personagens são muito cativantes. Os capítulos são longos mas tão bem escritos que você não se dá conta que leu umas 20 páginas em um só capítulo.
O livro tem 272 páginas então é bem rápido de ler.

Dou nota máxima em tudo. E super indico ele pra todos vocês que gostam do gênero.

Trailer do filme:

Por hoje é só

Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

 

Ps.: Menina Má foi um dos livros mais legais que já li e superou totalmente minhas expectativas. Espero que gostem dele assim como eu gostei.

Onde Cantam Os Pássaros / Resenha (LIVROS)

Ouvi algumas vezes na escola que alguns livros podem ser difíceis. E por difícil eu imaginava aqueles livros onde o dicionário acabaria fazendo parte da leitura. Como um grande exemplo cito Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Com o tempo acabamos nos acostumando com essa coisa de livros difíceis. E então largamos o dicionário. Agora creio que essa definição tenha mudado um pouco.

Quando li A Menina Submersa me disseram que se tratava de um livro difícil e muito denso. De fato era. E nesse caso o difícil era o simples ato de compreender. Pois como já devo ter tido aqui esse livro era extremamente confuso. Mas é justificável a confusão considerando a nossa protagonista da história.

Uma das leituras mais chatas atualmente

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Agora foi a vez de Onde Cantam Os Pássaros da Evie Wyld.
Mais um da editora Darkside.
O livro é curtinho com apenas 250 páginas. Edição capa dura. Desenhos característicos na capa que acabam fazendo sentido após o término da leitura. O miolo tem uma tinta preta que em alguns exemplares acabou desbotando, o que não foi o meu caso. Também tem aquela linguinha para marcar a página lida.

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Sobre a tradução eu não tenho o que falar pois não li o original em inglês para poder comparar. Porém preciso reclamar dos diversos erros de digitação que encontrei durante a leitura. Um caso raro na Darkside inclusive.
Me incomodou um pouco na leitura pois algumas vezes os erros eram trocas de letras que acabavam confundindo o sentido da frase e eu levava um tempo para entender que tinha sido um erro de digitação.
As folhas são um pouco grossas em um tom um pouco amarelado e com aquele cheirinho de livro que tanto gosto.
Pelo valor do livro senti falta de algum brinde. Pelo menos no Menina Submersa veio um marcador de páginas e uma folha para colorir.

E agora a parte mais difícil: a história.

Extremamente confusa. Você leva um bom tempo de leitura para se situar no que está acontecendo, no meu caso precisei ler mais de 100 páginas. O livro não segue aquela coisa certinha de passado – presente – futuro. Mas sim ele começa em um futuro. O futuro da protagonista e no decorrer da leitura você vai sendo levado lentamente para o passado dela. Só que assim, em um capítulo a narração é no presente. No outro já é no passado. E por muitas vezes lia o capítulo seguinte achando que era continuação do anterior e ficava completamente perdida. Os capítlos no presente, depois que você aprende o truque do livro, acabam sendo fáceis de acompanhar. Os que pegam mesmo são os capítulos com a narrativa no passado. Pois quando mais você lê mais para o passado você vai.
Claro que para alguns no final tudo se conecta e faz um sentido incrível. E ou você ama o livro ou odeia. E para outros você simplesmente sente que o livro te abandonou sem dar um pouco mais de explicação.
A protagonista se chama Jake. Uma mulher que no começo se revela alguém extremamente insuportável para conviver. Mas quando você lê o passado dela começa a compreender um pouco aquele comportamento tão rebelde que ela tem. E ao mesmo tempo que Jake é grossa e desabafa em meio a vários palavrões ela também tem uma inocência confusa. Diria que ela mesma não deve saber quem ela é e busca essa liberdade e auto conhecimento o tempo inteiro.

O livro é bastante pesado. E quando digo pesado quero dizer com muitos palavrões, muito sexo praticamente explícito, violência e entre outros. Os momentos de violência inclusive me deixaram com a sensação de algo preso na garganta. Porém não posso detalhar demais por motivos de spoiler.
Alguns personagens do livro são repugnantes. Pessoas no qual eu sentiria, literalmente, vontade de cuspir na cara ou vomitar nos tênis. Em um ato de extrema repulsa. Os homens no livro, do final para ser mais exata, são nojentos em niveis que não sei explicar. Pois humilham de diversas maneiras.
Por diversos momentos me peguei querendo estender a mão para a protagonista e oferecer um ombro amigo. Pois é justamente isso que ela necessita durante toda a leitura do livro. Alguém que a protegesse de verdade.
E tem o mistério central do livro que é o assassinato da ovelhas de Jake. Que pra mim terminou sem solução nenhuma. Terminei a leitura simpatizando com Jake e entendendo suas perturbações e usei isso como explicação para tudo que ocorreu no livro. Com certeza existem diversas outras explicações e quem tiver alguma explicação interessante pode me mandar no meu email: andressabitencourt@hotmail.com.br e poderemos discutir sobre o livro.

Foi uma leitura difícil. E com um drama bem forte.

Eu ainda não sei dizer se gostei do livro. Pois pra mim ainda ficaram várias pontas soltas e se tem uma coisa que eu odeio é quando não consigo fechar uma história por completo. Seja num livro ou filme ou série.
No geral foi um livro que achei de certa forma uma leitura sacrificante. Levei meses lendo-o e praticamente sem nenhum interesse.
Infelizmente não vi toda essa obra prima que algumas pessoas me disseram. Quem sabe futuramente quando eu ler esse livro novamente não mude de opinião.

3-estrelas

Quem quiser comprar o livro ele está disponível:

na Submarino
nas Americanas
na Livraria Cultura
na Saraiva

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O Diário de Anne Frank / Resenha (LIVROS)

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Antes de tudo preciso dizer que li esse livro por puro acidente. Tinha começado a ler Onde Cantam os Pássaros (que ainda vou terminar, prometo!) mas a leitura não estava fluindo como eu desejava. E então descobri O Diário de Anne Frank no meio dos vários outros livros digitais que tenho e decidi ler.

Acabei dando uma pesquisadinha básica sobre a vida da Anne e quando comecei a ler o livro já sabia o final de tudo, o que deu uma tristeza muito maior quando eu li.

O livro começa a ser escrito no dia 12 de junho de 1942, que era o dia do aniversário de Anne e o diário foi um dos presentes que ela ganhou. Nessa época ela ainda não estava no esconderijo, então é um começo bem leve e gostoso de ler. Anne, apenas através do diário pois não a conheci pessoalmente, é engraçada, decidida, com opiniões próprias e no começo até um pouco inocente. No diário ela relata tudo o que acontece em sua vida. Nos apresenta sua família, os meninos que ela gostava, os que gostavam dela, as aventuras na escola e tem muita coisa histórica que não se aprende nos livros de história.
Não dá pra ter totalmente uma sensação do que ela e sua família passaram, mas os relatos no diários ajuda a ter uma leve noção.

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Nos momentos alegres do diário eu ria junto com ela, e nos piores momentos chorava junto também.
Antes deles irem para o esconderijo todos tinham vidas quase normais, digo quase pois já no início do diário Anne nos conta que os judeus não podiam usar os transportes públicos se não me engano só podiam andar de bicicleta, tinham hora pra ficar na rua e outras proibições. Quando Margot, irmã de Anne, recebe um aviso de convocação ordenando que ela fosse para um campo de trabalho a família então decide se esconder. No dia 06 de julho de 1942 eles então entram no Anexo Secreto. E depois disso a narrativa vai começando a ficar mais pesada. Primeiro vem a época de adaptação no lugar, depois as dificuldades de convivência, constantes brigas, a puberdade e os transtornos da puberdade, o medo de serem descobertos, pouca comida e entre outras coisas.
É uma leitura que nos faz refletir. E no final confesso que fiquei sonhando com um mundo alternativo onde nada daquilo acontecia com eles. O último registro do diário me fez chorar e me deu uma sensação de impotência terrível.
O último registro aconteceu no dia 01 de agosto de 1944 e eles foram descobertos pelos nazistas 3 dias depois. Até hoje ninguém descobriu quem denunciou eles. Mas após ter lido o diário percebi vários momentos em que eles foram descuidados. Fora o fato de volta e meia ter alguém tentando invadir o depósito para roubar.

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Anne deu o nome de Kitty para o diário, e embora ela tenha escrito ele na forma de desabafo justamente porque não tinha outras pessoas da sua idade para conversar senti como se ela estivesse desabafando comigo.
O sentimento que fica é o mesmo de quando a gente passa vários meses conversando com alguém pela internet sem conhecê-los pessoalmente.
Através do diário pude conhecer um pouco de Anne Frank, o que ela pensava e como ela pensava. Uma menina extremamente inteligente, autodidata e com uma fome de aprender incrível. Tudo que ela queria era aprender idiomas, ser jornalista e ser feliz.

Recomendo para todos!
A edição que eu tinha era um pouco pobre em detalhes, mas vi que tem uma edição de capa dura que tem vários detalhes além de diversas fotos.

Quem já leu o livro pode comentar o que achou dele e debater suas opiniões.

Por hoje é só!
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

Ps.: fiquem a vontade para ler sobre a história dela caso o diário não tenha sido o suficiente

O Sol É Para Todos / Resenha (LIVROS)

Esse é provavelmente um dos livros mais difíceis de eu resenhar. O motivo é simples: eu amo o livro.
Aqui no blog eu tento dizer o que achei de um livro sem pender tanto para um lado só. Aqueles livros que eu considero meus favoritos eu acho muito complicado falar sobre eles de maneira neutra sem ficar tietando.

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(Scout, Atticus e Jem – foto do filme de mesmo nome)

O Sol é Para Todos (no original To Kill a Mockingbird) foi escrito por Harper Lee (que descobri esses dias que é uma mulher) e lançado em 1960. Vencedor do Pullitzer e um livro que eu acho que todos deveriam ler antes de morrer.

Sinopse: conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930. Jem e Scout Finch testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social.
A esperta e sensível Scout, narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Mas não é só nessa acusação e no julgamento de Robinson que os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam.

Os personagens do livro são cativantes. Scout é aquela criança que eu adoraria ter como irmã assim como o Jem. Por terem tido uma boa educação do pai deles (o maravilhoso Atticus) acabam estranhando demais alguns comentários racistas, ofensivos que ouvem dos vizinhos e moradores de Maycomb.
O que eu mais gostei do livro inteiro foi Atticus. Cada momento que ele aparecia falando era praticamente uma aula de boa educação e de como viver numa sociedade. Eu já tinha me apaixonado pelo personagem quando assisti o filme (que tem o mesmo nome do livro e se não me engano é de 1960 e pouco – tinha no netflix, não sei se ainda tem). Acabei criando realmente uma imagem de heroi para Atticus, o tipo de pessoa que eu gostaria que fosse real e que eu pudesse ter a chance de conversar.
O livro não só mostra esse racismo forte como também comenta o machismo. Em uma parte do livro é comentado que uma das personagens não poderia participar de um juri por ser mulher. Além também dos vários momentos que outras mulheres no livro criticavam Scout por não se vestir como ‘menina’ e não se comportar como uma ‘dama’.
Basicamente o livro fala do preconceito em geral. Um dos personagens também muito interessantes é Arthur Radley (chamado de Boo pelas crianças no livro) que aparece realmente nas últimas páginas e é responsável por um ato corajoso inclusive quebrando o preconceito que os moradores tinham a respeito dele.
O fato de eu ter assistido o filme primeiro não estragou nem um pouco a sensação incrível de ler o livro (tive que ler em formato digital porque não consegui achar a edição de forma física).

Gostaria de elogiar o trabalho da editora responsável pelo livro, que tirando 2 errinhos de digitação fez um trabalho excelente.

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Essa capa é linda demais

Fazia muito tempo que eu não me sentia tão completa e feliz por ter lido um livro. Última vez que tive isso foi lendo Moby Dick em 2013 e um pouco com Psicose também ano passado.

Para quem não conhecia ainda, essa é Harper Lee

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Quem já leu o livro recomendo assistir o filme também, uma ótima adaptação.

Ps.: Uma incrível coincidência, também tem um filme para Moby Dick (mais antigo que To Kill a Mockingbird) e Gregory Peck também atua nesse filme.

Eu poderia falar mais sobre o livro mas provavelmente estaria enchendo de spoilers e eu realmente quero que vocês parem para ler e admirar essa obra.

Indico para todo mundo.

Nota máxima.

Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

O Demonologista / Resenha (LIVROS)

Quando vi que a DarkSide estava fazendo propagandas desse livro eu fui toda empolgada ver qual era a dele. Como o próprio nome sugere é um livro sobre coisas demoníacas, tipo exorcismo e temas parecidos.
Geralmente antes de ler um livro procuro ler alguma resenha sem spoilers pra ter uma ideia do que as pessoas acharam do tal livro. Nesse caso não fiz isso. Primeiro porque queria me impressionar com a historia sem ter influência de alguém. Apenas eu com meu pensamento e meu gosto pessoal

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Tinha ficado um pouco traumatizada após ler A Menina Submersa e fiquei temerosa quanto a Demonologista. Minha empolgação começou quando vi que os capítulos eram curtinhos (adoro capítulos curtinhos) e que a escrita era de fácil compreensão (porque A Menina Submersa fez meu cérebro explodir algumas vezes).
Logo na capa temos um “blurb”, um comentário da autora Gillian Flynn (de Garota Exemplar que prometi inclusive dar outra chance pro livro). E pensei “vish”. Vou explicar. Por eu não ter gostado do livro da Gillian fiquei com um pé atrás por ela ter gostado de Demonologista e praticamente encheu o livro de elogios.
Mas é pura bobagem minha mesmo. “Precisa parar com esses julgamentos tolos Annie” Ok cérebro.

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Então eu comecei a ler. Já imaginando que seria o melhor livro de terror já escrito. Decepcionei no primeiro capítulo. O personagem principal, David, é um pé no saco. Mas não igual a IMP de Menina Submersa, mas sim o tipo que você daria uns tapas na cara por causa do excesso de ignorância/arrogância dele.
Ele começa na historia fazendo mil reclamações da ex que o traiu e bla bla bla. E de repente uma mulher aparece no trabalho dele e diz que ele tem que ir a Veneza e ele vai. Isso tudo em poucos capítulos, tipo no 2º ou 3º. O que me incomodou.
Nos livros de Dan Brown é parecido. Temos o Langdon dando aula e no dia seguinte viajando pra Roma pra caçar pistas em quadros ou poesias épicas. David também é uma espécie de Langdon, mas sem a doçura e o carisma. Mas sim com muita amargura e rancor.
Então a filha dele desaparece, e ele acha que ela foi levada pelo diabo e passa o livro inteiro lutando e correndo de cidade em cidade atrás de possíveis pistas sobre o paradeiro da garota. O que também me incomodou foram justamente essas pistas. Pessoas possuídas apareciam do nada pra David e citavam versos de Paraíso Perdido. E é justamente esses trechos que o ajudavam. O que pra mim foi algo bem “porcamente pensado” da parte do autor do livro.
Dá pra dizer que tirando isso o livro até que é gostosinho de ler. Fiquei vários dias sem tocar nele porque o personagem principal me irritava e também porque estava com preguiça de ler. Mas depois de voltei a ler levei uns 2 dias.

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E então vem o final do livro, um final que deixa tudo pra você. Nada fica evidente ali, eu mesma tive 3 interpretações diferentes.

Concluindo: estética o livro é maravilhoso, DarkSide novamente não decepcionou <3, os diálogos de David com o demônio são interessantes, a personagem mais incrível do livro é a O’Brien (que teve um destino que me deixou quase em lágrimas), Tess (a filha de David) é outra personagem que com pouca idade pensava de uma maneira tão adulta que deveria ter aparecido bem mais. Minha maior crítica foram algumas pontinhas mal explicadas. No livro é mencionado uma tal Mulher Magra, e simplesmente não é explicado quem ela era, se era humana ou não. Bom, no geral é um bom livro.

DarkSide está de nota 10
Andrew Piper e sua história ganham um bonitinho 7.

Por hoje é só!

Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

A Menina Submersa / Resenha (LIVROS)

Essa então será a primeira resenha do ano. Do primeiro livro do ano.
Comecei a ler esse livro em dezembro do ano passado. E é realmente difícil falar sobre ele.
Vi pessoas falando que é um livro que você ama ou odeia. E é verdade.
Você pode compreender o livro, e seus personagens e então amá-lo.
Ou não entender sua história e por isso odiá-lo.

Estou falando de A Menina Submersa

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Livro publicado pela editora DarkSide e inclusive o segundo livro que leio da editora.
Novamente afirmo aqui que o trabalho deles é maravilhoso.
Tenho a edição limitada capa dura, a da foto, e só tenho coisas boas a dizer.
O livro é lindo demais e apenas teve alguns problemas de edição do texto em si.
Não sei se também não são erros de digitação ou problemas de tradução. Mas por várias vezes me perdia na leitura por causa desses errinhos.

O livro tem 320 páginas. Que normalmente eu iria ler em 3 dias. Mas levei um mês.

A história é a parte mais complicada. Me perguntaram hoje: “Mas e aí, o livro é bom?” E por incrível que pareça isso é o mais difícil de dizer.
Ele tem pontos positivos e negativos.

Ponto positivo: personagens. Mesmo a principal sendo totalmente sem sal ela é boa por ser muito bem construída e você realmente passa a imaginar aquela pessoa parada na sua frente lendo o diário dela.
Outro ponto positivo: curiosidades e informação. A autora teve a maravilhosa capacidade de colocar muitas informações no livro. Aliás, tem coisas ali citadas que se você não tem um pouco de conhecimento acaba não entendendo nada.

Ponto negativo: narrativa confusa e alguns capítulos arrastados e contos desnecessários.

A personagem principal, chamada de Imp tem esquizofrenia. E isso justifica o fato da narração ter várias idas e voltas, e algumas viagens mentais. Mas as vezes irritava demais umas 20 páginas de contos (que estou tentando ver a necessidade deles no livro ainda) e detalhes demais (quando a personagem narrava todo o trajeto que iria fazer incluindo nomes de ruas – todas elas).

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Quem quiser se aventurar nessa história precisa primeiro de tudo ter mente aberta. Ele aborda questões interessantes e quem for muito “família tradicional” vai se decepcionar de cara.
No livro fala de tudo um pouco. Temos as personagens falando um pouco sobre religião, sobre sexualidade, sobre sexo em si – e até com bastante detalhes, sobre coisas divertidas, coisas tristes, preconceitos, sofrimentos e isso foi o que me deixou firme e forte na leitura.
Assim como Morro dos Ventos Uivantes que é outro livro com uma leitura muito difícil. Parte disso por causa da época em que foi escrito. Mas com uma história devastadora. Não é um livro que irei ler pela segunda vez, mas com certeza é um que está no meu coração para todo o sempre.
A Menina Submersa não é diferente. Também não me arriscaria a ler ele novamente tão cedo. É denso demais e ainda vou levar um bom tempo pra assimilar tudo que acontece. Também não será meu livro favorito, mas apenas porque não gosto de fantasias.

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Posso afirmar que você se transforma depois de ler o livro. Algo em você muda. Seja sua forma de pensar ou ver o mundo.
Neil Gaiman afirmou: “Ninguém escreve como Caitlyn”
Isso pode ser tanto bom como ruim.
Realmente a autora se preocupa com detalhes e informações que ela considera importante para a história e para o entendimento do leitor. O vocabulário é até bastante rebuscado. E diria que é o livro não clássico com mais palavras diferentes que já li.
Não sei afirmar se também é assim no original, afinal li o livro traduzido. E também não posso ter uma opinião ainda sobre a autora. Precisaria de mais alguns livros dela pra ter algo formado.

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Indico pra todos aqueles que gosta de um pouco de fantasia, de terror e que busca ler coisas diferentes do habitual. Esse livro te faz sair da sua zona de conforto então esteja preparado (a).

Junto do livro veio uma folha (com o mesmo desenho da capa) para colorir e um marca páginas com libélulas e outros insetinhos. E achei isso fofo demais da parte da DarkSide haha

Comprei o livro em uma promoção, por ele ser uma edição limitada e de capa dura o preço é um pouco salgado. Então se você tem interesse em ler mas não quer pagar 50 reais pelo livro compra a versão brochura. Mas se você é como eu que gosta de colecionar alguns livros então espera as promoções lindas da submarino. As vezes o livro na edição capa dura fica por menos de 30 reais. Só precisa ficar atento.

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O que eu achei mais interessante é que o livro tem aquela linguinha, aquela cordinha que vem em algumas agendar pra marcar a página. E a lombada é toda rosa. Ah, e a tinta não saiu em nenhum momento.

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Enfim, mais um trabalho maravilhoso da DarkSide! Parabéns aos envolvidos!

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Só mais uma coisa: achei o final do livro extremamente confuso. Quem já leu e quiser me explicar o que acontece naquele final pode me falar nos comentários.

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Por hoje é só pessoal!
Espero que tenham gostado, foi muito difícil escrever sobre esse livro e espero que tenha passado o que senti ao ler ele.

Um beijo no queixo
Annie Bitencourt