LEITURAS / O Exorcista

O Exorcista – William Peter Blatty

CARAMBA!

 

Sinopse: Inspirado em uma matéria sobre o exorcismo de um garoto de 14 anos, o escritor William Peter Blatty publicou em 1971 a perturbadora história de Chris MacNeil, uma atriz e mãe que está filmando em Georgetown e sofre com as inesperadas mudanças de comportamento de sua filha de 11 anos, Regan. Quando a ciência não consegue descobrir o que há de errado com a menina e uma nova personalidade demoníaca parece vir à tona, Chris busca a ajuda da Igreja no que parece ser um raro caso de possessão demoníaca. Cabe a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, salvar a alma de Regan, enquanto tenta restabelecer sua fé, abalada desde a morte de sua mãe.

 

Terminei de ler o livro hoje (no caso dia 29/09) e que livro incrível. Eu não sei como foi a experiência de outras pessoas a respeito da história mas pra mim O Exorcista é muito mais do que um livro de terror. Pra mim é um livro que fala de fé, mas principalmente de culpa. E de cara digo que Padre Damien Karras foi o melhor personagem da história toda.

RISCO DE SPOILERS

 

Me arrisco a dizer que o filme de 1973 agora fica massacrado perto do livro.

“A história é muito diferente?”
Não, mas é justamente a escrita de Blatty que faz o livro ser superior em muitos aspectos. Quem apenas assistiu o filme joga de cara que O Exorcista é uma história de terror/horror. Mas eu vejo muito mais como um drama com elementos de terror/horror.
Pois pra mim o personagem principal não é nem as McNeil muito menos o demônio (ou a existência do mau) mas sim Padre Damien Karras.
Temos ali um homem que perdeu a mãe e é consumido por essa culpa constantemente. Ele acredita ter negligenciado sua mãe em vida para servir como padre. E é justamente esse “fantasma” da culpa que o assombra depois quando Regan está possuída. Eu diria até que Karras teria depressão.
Além de padre ele também é um psiquiatra e no momento que perde sua mãe o lado da fé se apaga e o lado cético do médico surge. Basicamente ele mesmo não acredita no que ele está ali pregando para tanta gente.

Com pensamentos como esses, Karras observou com tristeza o sangue voltando a ser vinho.

Blatty nos faz conhecer bem o seu protagonista. Nos faz ver sua dor e no quão fundo ele está no oceano melancólico da sua mente. Quando ele começa a ajudar Regan (que ele nunca chega a conhecer de verdade) é quando ele realmente fica maravilhoso. Por várias vezes vimos que existe uma luta dentro dele. A velha briga da Ciência x Religião e ele, ali, sendo as duas coisas e entrando lentamente em colapso.
A maior parte do livro relata essa aproximação do Karras com as McNeil. Essa amizade que surge de repente mas que percebemos ser verdadeira.
Afinal não é todo mundo que decide ajudar uma mulher desesperada que basicamente só conhece de vista/de nome.
Quando o exorcismo realmente acontece (nas últimas páginas) sentimos o terror. E eu no caso me senti lá dentro do quarto gelado de Regan olhando aqueles dois padres lutando para salvar essa criança. Eu fiquei muito aflita nas últimas páginas e após o término da leitura bateu uma sensação de vazio. Sensação essa que só sinto quando leio um livro muito bom. E acreditem, O Exorcista é muito bom. Um romance bem construído e que com certeza é muito mais do que uma cabeça girando.

Como eu já havia assistido o filme ano passado já sabia que Karras morria. Mas ao ler a morte dele no livro bateu uma tristeza bem grande. Porém eu entendi que o que ele fez foi o mais puro ato de bondade, exatamente uma característica dele, além do desespero para dar fim ao seu próprio sofrimento (a culpa pela morte da mãe e quiçá a falta de fé). E o final tem-se a cena mais bonita. Um outro padre, muito amigo de Karras, que o absolve de seus pecados e então sabemos que Karras enfim está em paz consigo mesmo e com Deus.

 

Por hoje é só!
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

 

Ps.: O livro não é amaldiçoado então podem ler tranquilamente.

 

Redoma de Vidro / Resenha (LIVROS)

Durante um bom tempo vi muita gente comentando a respeito de A Redoma de Vidro da Sylvia Plath. A última pessoa que vi comentar foi a booktuber Tatiana Feltrin. Pois bem, depois de uma longa discussão comigo mesma decidi assinar o Kindle Unlimited e aproveitei para ler o livro.

(Primeira vez que tinha escutado o nome Sylvia Plath foi em 10 Coisas que Odeio em Você se não me engano)

O livro basicamente consumiu todas as minhas energias, mesmo sendo alertada para ler o livro somente quando estivesse em um momento bom da vida eu decidi arriscar (não que estivesse em um momento ruim naquela época mas definitivamente não era o melhor momento da vida). Quanto a parte, digamos, técnica do livro eu não vi nada que me incomodasse, no quesito de edição mesmo (embora tenha visto muita gente reclamando de muitos erros de digitação, eu não percebi nenhum). Se não me engano levei uma semana para ler o livro e usei ele como um escape dos livros da faculdade (é muito estranho falar isso, sério).

A história gira em torno de Esther (que eu só fui descobrir o nome alguns capítulos depois) uma moça mega inteligente que conseguiu uma bolsa numa faculdade super bacana, faz estágio numa revista de moda (não tenho certeza, essa resenha tá saindo bem depois de quando eu li, não me julguem :p) e vive cercada por um universo cool na cidade de Nova Iorque. Mas aparentemente ela não consegue se identificar com aquilo ali e acaba meio que surtando e vai parar numa clínica psiquiátrica.
O livro foi escrito numa época que o tratamento para doenças psicológicas era extremamente medieval. Sabe aquela coisa de lobotomia, tratamento de choque e tal? Pois é, e o momento de “loucura” da Esther acaba abordando isso de uma maneira bem triste. Dizem que o livro é para ser meio que uma biografia da vida da Sylvia com alterações pequenas. E aparentemente a autora tinha um transtorno psicológico, para quem não sabe a Sylvia Plath (e pelo que pude perceber várias autoras seguiram um rumo parecido) se suicidou e de uma maneira muito assustadora (pelo menos a mim causou um certo medo, tenho uma grande sensibilidade para esses tipos de assunto).

Eu não vou falar aqui o final do livro, óbvio, mas quero dizer que ele é de certa forma bem interessante. Foi um final que eu não imaginava e fiquei feliz por ser surpreendida embora meio incomodada por não ter achado o final grandioso.
A escrita da Sylvia é muito bacana e uma verdadeira delícia de ler.

Bom, um livro que eu super recomendo para vocês e como me indicaram é bom ler em um momento muito bom da vida porque querendo ou não você acaba sendo sugado para aquele mundo pessimista da Esther e para algumas pessoas não vai fazer muito bem.

Por hoje é só
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt

Ps.: Eu não planejava essa resenha então acabou saindo meio que no improviso
Ps2.: Estou passando por uns problemas chatos de saúde e por isso o blog anda um pouco abandonado
Ps3.: Esse mês eu faço aniversário – não é algo importante para dizer mas quis falar assim mesmo.