Crime e Castigo – Dostoiévski / LIVROS

Neuras, Culpa e um Crime

Depois de muito tempo sem escrever nada por aqui eu volto logo com Dostoiévski. Por anos eu tive curiosidade para saber como era a sensação de ler um autor russo. Comprei Guerra e Paz, após a série maravilhosa da BBC (era BBC?) mas até hoje não consegui encarar a leitura. A edição que tenho é da falecida Cosac Naify e tem no total mais de 2000 páginas somando os dois volumes. Então acaba assustando um pouco. E também sempre me venderam a imagem que certos livros famosões eram de difícil leitura, tais livros eram: Ulisses – James Joyce¹, Guerra e Paz – Tolstoi, 1984 – George Orwell, Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquéz e entre outros.

Resolvi de vez encarar esse medo dos tais livros difíceis e que bom que fiz isso! Crime e Castigo, até o presente momento, foi a melhor leitura de 2019. Me deixou até com um pingo de ansiedade para tentar ler logo o final e saber o que acontecia.

Sinopse: Raskólnikov, um rapaz retraído e orgulhoso, se sente esmagado pela pobreza. Ao mesmo tempo, acha que está destinado a um grande futuro e, desdenhoso da moralidade comum, julga ter plenos direitos para cometer um crime – o que fará de maneira implacável.

Rodion Romanovitch Raskolnikov é o que eu chamo de desprezível carismático. Ele comete um crime e passa a ficar neurótico com a possibilidade de outros descobrirem o que ele fez. Por muitas vezes me peguei torcendo pelo Ródia, mesmo sabendo do que ele fez. E a história me pegou de um jeito tão forte que até sonhei algumas vezes com tais personagens.

Por hora devo informar que não farei uma análise filosófica/psicológica do livro. Não tenho nem base para isso. Mas isso não quer dizer que não possa elogiar o trabalho bem feito do Fiódor Dostoiévski e no aprendizado relacionado a cultura russa que por acaso tive.

Essa edição que li, da Todavia, é uma edição incrível. Não tem notas de rodapé mas nas últimas páginas tem todos os termos e explicações de contexto histórico relacionados ao livro. No final desse post vai ter um link para um site bacana que achei (enquanto fazia a leitura) que explica o que são os patronímicos e para quem se aventurar em literatura russa não vai ficar tão perdido na quantidade enorme de “nikovs, vichs” e etc.²

Para quem tá começando nesse tipo de literatura acho válido começar com essa mesma edição que li, consegui entender bem a história, além de várias observações importantes sobre a cultura em geral russa que até então eu só conhecia por filmes americanos.

O livro me fez questionar bastante o conceito de culpa³ e maldade. Sabe aquela frase de: “bandido bom é bandido morto”? Aqui o autor te faz pensar sobre isso. Realmente toda pessoa má merece a morte? Todo aquele que comete um crime precisa ser extinto da sociedade? Entre outras perguntas que você acaba se fazendo durante a leitura.

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¹ – “Cem Anos de Solidão e Ulisses estão entre os livros de difícil leitura”

² – Nomes e sobrenomes russos: entenda como funciona o sistema deles

³ – Crime e Castigo: uma visão da Literatura sobre o Direito

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Por hoje é só!
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt