2018 Annie Filmes

Black Mirror: Bandersnatch / FILMES

Black Mirror: Bandersnatch

Direção: David Slade
Elenco: Fionn Whitehead, Will Poulter, Alice Lowe

Sinopse: 1984. Um jovem programador (Fionn Whitehead) começa a questionar a realidade enquanto adapta um romance de fantasia em um jogo. Uma história alucinante com múltiplos finais

Todo mundo adora fazer a brincadeira do “isso é muito black mirror” pra lá e pra cá. Eu mesma já tinha assistido alguns episódios aleatórios das primeiras temporadas, e um das novas temporadas. E sempre achei uma série bem ok, confesso que não entendo direito esse hype todo que fazem.

Mas então pensei: estão falando tanto de Bandersnatch, e de fato parece algo bem interessante, vou dar uma chance. Chamei até meu namorado, que é um descrente total quando se fala de Black Mirror, para assistir junto pois acreditei que esse episódio/filme seria algo incrível.

Mero engano.

Os anúncios de Bandersnatch me fizeram acreditar que seria um filme totalmente interativo. Que teriam diversos finais sim, mas que seriam na base da minha escolha. Mas quando eu dei o play e meu namorado, empolgado, se propôs a fazer as escolhas acabamos ficando extremamente decepcionados. Ele muito mais pois já tinha um pé atrás com black mirror.

Não só a série te faz voltar nas escolhas que consideram ‘erradas’ como dependendo de algumas escolhas específicas o final acaba sendo terrível. Eu posso ter dado muito azar de o final que apareceu tenha sido o único terrível dos 5 possíveis. Mas de qualquer forma foi o suficiente para fazer meu namorado manter ou piorar a opinião que ele já tinha a respeito de Black Mirror, e também me fez ter um pouco mais de desdém com a série.

Após Bandersnatch chego a conclusão de que Black Mirror não consegue me impressionar. Ou eu realmente tenho um gosto muito peculiar ou a série que é totalmente superestimada. Em ambas opções minha decepção é garantida.

“É tão terrível assim?”

De fato não é a pior coisa que meus olhos já presenciaram quando o assunto é entretenimento. A mensagem que Bandersnatch quer passar acaba sendo tão óbvia que subestima a inteligência do público.

Ok, eu entendo que tem uma espécie de filosofia por trás do roteiro insinuando e nos fazendo questionar se realmente estamos escolhendo, se estamos sendo manipulados e etc tal qual o personagem. E isso para algumas pessoas, que não foi meu caso, pode funcionar. E com “pode funcionar” eu quero dizer na verdade: Impressionar.

Alguns se impressionam com os episódios de Black Mirror por não estarem acostumados com esse tipo de narrativa ou por realmente se impressionarem fácil. Acho até comum a existência de certos filmes, de fato ruins, mas que causam uma explosão no cérebro. E acabam arrancando um enorme “UAU” do telespectador.

Então para essas pessoas Bandersnatch não vai ser ruim. Vai ser UAU. Vai ser incrível. E vai explodir a mente. Mas uma coisa eu devo elogiar: a ousadia.

Fazer um episódio/filme com essa proposta de interação acaba cativando a audiência. Gente que nunca viu a série com certeza vai correr atrás de assistir pelo menos esse episódio. Os aficionados por Black Mirror não irão achar um defeito sequer, e mais um ponto para Bandersnatch.

A ousadia de fazer um trabalho, e põe trabalho, desses é admirável. Eu realmente espero que a Netflix incentive mais séries ou filmes, ou até mesmo Black Mirror a lançar mais conteúdo interativo. Com um bom roteiro de fato, e uma verdadeira interação. Precisamos de mais ousadia no entretenimento. Mas hoje Bandersnatch não me conquistou.

Por hoje é só!
Annie Bitencourt