Fome de Cinzas (07 de Fevereiro de 2016)

Ele ouve uma criança gritando seu nome
“Como ela poderia?” ele pensa em seguida
Em seus olhos tem morte, tem raiva, tem fome
Ele sabe, ele sente, se pudesse acabava com sua vida

Agora tudo está embaçado, o mundo turvo
No peito a angústia e o vaso com lamentações
Prestes a explodir para assim então sumir no escuro
Ele sabe que não pode mais viver com regressões

No quarto abandonado está o papel e a caneta
Um rosto rabiscado e palavras inúteis sem significado
Isso não significa nada e não importa se ele foi poeta

O amor disse adeus, não aguentou o turbilhão de sentimentos
Sentado na cadeira conta os segundos para o efeito do remédio
Sua cabeça dói, seu corpo chora, apenas não reage a nada

Ele grita por socorro mas não há onde se segurar
Ouve a criança gritando com dor o seu nome
Quem é ela? Seu sofrimento não pode aguentar

Está fraco, fecha os olhos e então se vê nu
Seu corpo sangra e o remédio não para a dor
Seu nu o chama, tenta carrega-lo para a luz
Ele fecha os olhos, e o silêncio do mundo vem lhe perturbar.