2018 Annie Filmes

Locke / FILMES

Locke

Direção: Steven Knight
Elenco: Tom Hardy, Andrew Scott, Ben Daniels, Ruth Wilson, Tom Holland

Sinopse: Ivan Locke (Tom Hardy) trabalhou diligentemente para ter a vida que ele imaginou, dedicando-se ao trabalho que ele ama e a família que ele adora. Na véspera do maior desafio de sua carreira, Ivan recebe um telefonema que põe em movimento uma série de eventos que irá desfiar sua família, trabalho, e alma.

Eu jamais imaginei que ia passar 84 minutos da minha vida assistindo um filme sobre um homem dirigindo um carro e falando ao telefone (meio perigoso se parar pra pensar). E o mais doido disso é que eu de fato gostei, e gostei pra valer, de Locke.

O filme não tem outros cenários, nem outros atores (apenas as vozes) em cena. São 1h24min de Tom Hardy dirigindo e falando ao telefone. E você pode pensar: “Nossa, que sem graça isso”. É um grande engano isso.

A princípio Locke pode não te cativar. Mas conforme as ligações vão acontecendo e você começa a juntar os pontos da história (que é um drama) o interesse surge. E, não é apenas porque é meu ator favorito, Tom Hardy carrega o filme todo sozinho. Locke depende principalmente de um bom trabalho de atuação para funcionar. Acreditem em mim, funciona!

Como eu não vi ainda tantos filmes assim do Tom pra poder formar uma opinião mais decente a respeito da atuação dele arrisco a dizer que Locke seja a sua melhor atuação.

Sobre a história no geral eu notei certas coisas que me fizeram gostar muito do filme no final. O personagem de Hardy – Ivan Locke – se mostra um homem apaixonado demais pelo trabalho. Mas que negligenciava totalmente a família. Inclusive a treta principal do filme é uma noitada que deu merda. Um único erro. Uma única noite em que Locke trai sua esposa e que depois muda sua vida completamente.

Locke vai do homem extremamente preocupado com o trabalho, e percebemos isso de uma maneira sutil no filme apenas pelas ligações, para o homem que percebe que fez uma grande besteira e agora precisa lidar com isso. Uma das ligações em que percebi isso fica quase no finalzinho do filme. Locke fala com o filho mais novo e percebe que nunca mais terá aquele momento especial com os filhos (que no inicio é mencionado) assistindo um futebol em família no conforto do lar.

Mas além dele ter agido de maneira tão irracional (eu julgo ele bem pesado por causa da questão da traição) o fato dele não querer, não pretender abandonar esse filho ‘bastardo’ me fez simpatizar com o personagem e até entender seu problema. No fim acabei até um pouco emocionada com um misto de pena também. Ele não queria que esse filho viesse a sentir as mesmas coisas que ele sentiu (Locke também é um filho de fora de um casamento). Um dos melhores momentos do filme mostra Hardy em um tipo de monólogo. No caso seu personagem critica e defende ser melhor que o próprio pai, e tudo isso enquanto olha pelo retrovisor como se de fato falasse com alguém no banco de trás. Esse detalhe sutil mostra que o empático Locke não quer que seu filho seja assombrado por um erro dele.

Em uma época em que o cinema valoriza grandes explosões, CGI e um imenso mar de super herois ver um filme onde não tem nada disso apenas um bom ator interpretando um personagem muito bem construído dá um conforto enorme no coração.

“Você comete um erro, um pequeno erro, e o mundo inteiro desaba ao seu redor”

Por hoje é só!
Annie Bitencourt