O Que Achei De: A Mulher na Janela

Sinopse:
Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. “A Mulher Na Janela” é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

RISCO DE SPOILERS


“A agorafobia não veio para destruir minha vida: ela agora é a minha vida.”

Esse livro veio na forma de uma recomendação indireta. E se não fosse por tal recomendação eu só saberia da existência dele depois da adaptação cinematográfica.
Hollywood adora suspense. E aqueles baseados em livros, onde o roteirista pode se dar ao luxo de ser um pouco preguiçoso, ah esse Hollywood venera.

Antes de qualquer coisa preciso dizer que não odeio adaptações. Muitos livros que atualmente leio viraram adaptações e sinto um prazer na alma em comparar as mídias depois da leitura.
Foi assim com todos os livros do Dan Brown, também foi assim com Bird Box, que tive o prazer de ler o livro antes da existência do filme, e foi assim com Orgulho & Preconceito e Jane Eyre (que ainda não vi o filme mas tá na listinha).

Eu tenho um pé atrás com livros de suspense. Primeiro porque já é um gênero desgastado. As melhores e originais ideias já vieram de livros antigos. Então a partir do momento que você lê um livro tipo Psicose, tudo que vem depois dele acaba não te impressionando tanto. Segundo, eu vejo muitos filmes de suspense. Eu amo o gênero, junto com terror. Então as ideias que ainda não li eu com certeza assisti.

Mas não tem nada errado em pegar uma ideia já usada. Desde que você saiba fazer isso. Também não vejo nada errado em fazer uso de plot twists (tudo na medida certa). Mas novamente: Desde que você saiba fazer isso.
A. J. Finn, ou melhor Dan Mallory, não soube fazer isso. Ele não soube impressionar. Ler A Mulher na Janela não te passa aquela sensação gostosa de fechar o livro e dar um longo suspiro pensando: “Esse é o melhor livro que eu li na vida!”

É um livro Ok. E para algumas pessoas pode até incomodar. A protagonista é muito burra. E isso não é falta de empatia para com a mesma. Eu consigo entender perfeitamente como ela se sente estando na situação em que se encontra. E por mais vinhos que tome ou remédio que seja obrigada a tomar isso não deveria ser motivo para ações tão medíocres, ainda mais de uma personagem formada em PSICOLOGIA e que volta e meia joga xadrez. Você espera inteligência da parte dela. Isso que nem mencionei o fator idade.

O livro tenta te convencer que um moleque de uns 17 anos com transtorno de personalidade antissocial é muito mais esperto que 3, ou melhor 5 adultos da história, sendo dois deles policiais. Ethan não tem experiência de vida o suficiente para saber enganar gente assim. Não é como se fosse um Norman Bates. Ele é um adolescente, que se acha o incrível e extremamente amargurado e rancoroso (além de machista e etc etc etc) com os pais biológicos.

Ele pode ter enganado a protagonista e todos os coadjuvantes nessa história, mas não conseguiu me enganar. E ele precisava me enganar para a história funcionar. Ethan não convence e o autor joga tantas dicas que na metade do livro você já monta o quebra cabeça, então o plot twist simplesmente não funciona. E quando isso acontece, nesse caso, o livro se torna inútil.

E ao invés de causar a sensação gostosa que mencionei acima ele te faz sentir um certo refluxo. Você digere o livro rapidamente, porque isso sim o autor conseguiu fazer, pois a leitura é bem fluida. Mas esse ‘alimento’ não te cai bem. Ele tenta voltar e você sente um gosto ardido, uma queimação que incomoda.

O que resta agora é esperar a adaptação cinematográfica. O cinema pode corrigir o que Dan Mallory errou. Ou melhor, o cinema precisa corrigir o que Dan Mallory errou.

Meu maior palpite para a adaptação é a escalação da Rooney Mara para o papel de Anna Fox. E eu já perdoaria 40% dos erros do livro.

Por hoje é só!
Um beijo no queixo
Annie Bitencourt