Passageiros Inusitados

Parte 1

Emma acordou ansiosa. Era o aniversário de seu meio – irmão Josh. E fazia 2 anos que ela não o via. Foi correndo na caixa de presentes e lembrou-se de não ter comprado um. Imediatamente vestiu a primeira roupa que encontrou e encaminhou-se em direção ao carro. Um velho monza prateado. As rodas mal giravam, porém Emma precisava de agilidade no carro para poder comprar o presente para o irmão e ainda chegar a tempo para a festa.

Após ter comprado o presente, uma simples camiseta com a foto do jogador favorito de Josh, resolveu parar no sinal vermelho, o único da cidade aliás. Aproveitou para sintonizar o rádio, então ouviu uma batida forte, como se alguém chutasse a lataria do carro. Levantou a cabeça e olhou em direção do porta malas, porém não tinha nada nem ninguém. Voltou a sintonizar o rádio e acabou ouvindo o tal barulho novamente, só que agora bem mais forte.

Resolveu sair do carro e ver o que estava acontecendo, e apenas percebeu que estava numa rua completamente deserta. As lojas, poucas que tinham, já estavam fechadas, e por causa do frio intenso poucos se arriscavam a sair naquele horário.

Começou a entrar em desespero, entrou correndo no carro, colocou a chave na ignição, girou-a, mas o carro não ligou. Tentou novamente. E nem sinal do motor funcionar. Saiu novamente do carro. Abriu o capô para checar o motor. Mas não havia mais motor algum ali. Alguém o tinha levado.

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Parte 2

Foi atrás de alguma mecânica que estivesse funcionando naquela hora. E então viu um senhor sentado na calçada chorando. Resolveu ir verificar se ele não precisava de alguma coisa.

– O senhor está bem?

Mas ele não parava de chorar. Emma sentou ao seu lado e começou a conversar.

– O senhor não me conhece mas quero saber o que aconteceu se não quiser falar tudo bem, enquanto isso vou te contar o que aconteceu comigo hoje. Pra começar eu deveria comprar o presente de aniversário pro Josh mas alguma coisa aconteceu com meu carro. Agora o senhor poderia se sentir a vontade para me dizer o que aconteceu com você.

– Ai minha jovem. Hoje faz um ano que meu netinho morreu. Morte horrível inclusive. Foi nessa rua aqui mesmo. Ele estava ali brincando de pega-pega com outras cinco crianças, e então veio esse motorista maluco e passou por cima de todos.

– Minha nossa! Meus pêsames senhor!

– Sem problemas jovem. As vezes eu venho aqui e fico olhando para a rua na esperança de vê-lo novamente mas nenhuma aparição sequer em 1 ano. Alguns já me disseram que se eu esperar até a tarde, que foi o momento do acidente, posso ver todas as crianças brincando como se nada tivesse acontecido. Bem ali minha jovem, onde está seu carro.

Emma então perguntou se o senhor não a ajudaria a arrumar o carro para poder ir embora e deixá-lo com seu netinho durante a tarde.

– Jovem, meu netinho está do outro lado agora. Seu carro não iria atrapalhar em nada. Venha, sente ao meu lado. Vamos esperar juntos.

O problema era que Emma tinha pânico de assombrações e só com a ideia de que alguma coisa desse tipo poderia aparecer para ela já dava um enorme arrepio. Mas resolveu ficar ao lado do velhinho.

– Bom minha jovem, se ver alguma coisa me avise. Vai começar agora.

Ela então olhou para rua, desejando que nada além de carros aparecessem. Foi então que ela viu. Cinco crianças sentadas na calçada conversando.

– Senhor, olhe! Na frente do meu carro!

Não sentiu nenhum medo, pelo contrário, viu que aquelas crianças não estavam entendendo o motivo de estar ali. Elas então se levantaram pegaram uma bola e foram para a rua brincar.

– Saiam da rua crianças! – Emma gritou no susto.

– Jovem, elas não podem te ouvir, elas já morreram. Veja se um menino franzino e ruivo está ali também. Me diga o que ele está fazendo.

Emma foi fazer o que o velhinho havia pedido, foi então que avistou um ônibus escolar vindo em direção as crianças. Ela começou a gritar e sinalizar para o tal ônibus. Mas o mesmo estava completamente vazio. Em seguida um barulho. E todas as cinco crianças estavam jogadas no chão incluindo a menino franzino e ruivo.

– Sinto muito senhor, não consegui evitar…

– Jovem, eu não os vejo sabe, mas os ouço e sinto suas presenças. Menos a de meu netinho.

A menina foi em direção ao acidente. A frente do ônibus tinha ficado completamente amassada. E manchas de sangue se espalharam pela rua. Ela foi andando e olhando para cada criança. Tinha uma menina loira, dois meninos gêmeos, um ruivo e uma delas ela não conseguiu identificar.

– Senhor, uma das crianças eu não consegui identificar. Quem é?

O velhinho então tirou um jornal velho do bolso da calça. Estava praticamente se desmanchando. Nesse jornal tinha uma notícia de 07 de agosto de 2014.

“Acidente com ônibus escolar deixa 5 vítimas fatais e outras 12 feridas. Motorista estava alcoolizado. Veja mais na página 7”.

Emma então foi para a outra página ler detalhes da notícia.

“Cinco crianças morreram essa tarde após serem vítimas de um ônibus escolar desgovernado. Os passageiros do ônibus passam bem, tiveram apenas alguns arranhões. O mesmo não aconteceu para Bruna Gentil, Carlos e João Magno, Maurício Tomás e Josh Vinegan”.

– Entendeu agora jovem? – Disse o velhinho que agora parecia assustador.

– O que é isso? – Perguntou ela.

– Desde a morte das crianças coisas estranhas começaram a acontecer. Esse jornal em sua mão foi parar em cima da minha cama um pouco depois da hora do acidente. E eu nem sequer assinava jornais além de morar sozinho. Fui para um hospital depois de descobrir o que tinha acontecido e tive uma visita. Meu netinho apareceu pra mim em sonho me contando que ele próprio havia colocado o jornal para mim. Depois de alguns dias vi um garotinho chamado Josh, ele me visitara quando eu já estava em casa. E pediu para eu estar na rua do acidente no dia de hoje e falar com uma menina chamada Emma que iria oferecer ajuda. Então fiz isso. E aqui estamos.

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Parte 3

Emma acabou desmaiando em seguida. Tinha tido informação demais em um só dia. O senhor então ficou ao lado dela tentando acordá-la

– Menina acorde! Preciso lhe contar uma coisa.

Lentamente ela começou a abrir seus olhos. Sentia seu corpo inteiro tremer e estava gélida. O velho então continuou a falar:

– Josh me contou que naquele dia a mãe pela primeira vez havia deixado ele brincar na rua com os amigos. E estava feliz que em dois dias ia viajar para poder te ver. Ele foi o único que viu o ônibus vindo quando ainda estava bem longe, mas disse que não conseguia se mexer e o máximo que conseguiu foi alertar para outras pessoas que saíssem da rua. Tentou fazer o mesmo para as outras crianças mas nenhuma acreditou nele. Me disse também que sentia como se alguma coisa o segurasse ali. E então o acidente aconteceu.

Emma então lembrou das velhas histórias que sua vó contava quando era criança.

– Minha vó me dizia que as vezes somos obrigados a passar por certas coisas para provarmos bondade. Eu preciso entrar em contato com meu irmão.

Dito isso Emma pegou uma lista telefônica e começou a procurar por médiuns locais.

– Minha jovem, esse tipo de coisa não se encontra em listas telefônicas. Me acompanhe eu conheço uma mulher que pode nos ajudar.

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Parte 4

Os dois então foram até a casa de Madame Boular. Conhecida na região por ter o dom de se comunicar com os mortos. Era uma mulher de mais ou menos 40 anos, acima do peso e vestia longos vestidos azuis.

– Já vi mulheres iguais a ela, mas usavam branco – sussurrou Emma.

Madame Boular afirmava ter tido diversas experiências sobrenaturais. Em uma delas seu prédio havia pegado fogo após ter irritado um espírito. Desde então ela vem cobrando alto para realizar suas sessões.

– Em que posso ajudá-los?

Emma se sentia altamente desconfortável naquele lugar. Havia caveiras penduradas pelo teto e as paredes eram pintadas em um tom de vermelho que parecia muito com sangue. Não havia nenhum sinal de possível tecnologia naquele lugar. As portas eram de madeira velha e fediam a urina de rato. O chão era de terra preta e pegajosa. E apenas uma grande mesa no meio da sala.

– Eu preciso entrar em contato com uma pessoa.

Madame Boular disse então suas condições e pediu para eles voltassem novamente vestindo azul.

– Por que temos que vestir azul?

– Acredite garota, você não vai querer que te confundam com uma virgem e levem sua alma ao inferno. Azul mostra para os espíritos e demônios que aquele corpo é protegido por algo maior. E também é a cor de os acalmam. Na última vez que entrei em contato com aquele mundo estava usando um vermelho vivo, e tudo de ruim aconteceu. Os espíritos se sentiam ameaçados. E então um deles, bem generoso aliás, me disse que quando tentasse outra comunicação que usasse uma cor mais amigável e me sugeriu o azul.

– E deu certo?

– Saberei ao mesmo tempo que vocês.

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Parte 5

Emma voltou vestindo azul e pediu para Madame Boular não demorar pois ela tinha pressa para entrar em contato com seu irmão.

– Pequena criança, o mundo dos mortos não vai para lugar algum. Não precisamos ter pressa quando queremos nos comunicar com eles. Onde está aquele senhor que veio com você na outra vez?

– Não está aqui? Recebi uma ligação dele avisando para eu me apressar pois ele já estaria aqui apenas esperando eu chegar.

Madame Boular percebendo que alguma coisa estava totalmente errada ali pegou seu telefone e ligou para uma mulher chamada Branca Jones.

– Está acontecendo de novo Branca.

Emma sem entender o que estava acontecendo resolveu ligar para Claude, seu recente amigo.

– Onde está você? Cheguei aqui na Madame Boular, o que está acontecendo?

Boular interrompeu Emma.

– Desligue a ligação. Sinto muito dizer isso mas seu velho não está mais nesse mundo.

– Como assim?

– No passado passei por uma situação parecida. Uma jovem veio aqui com seu avô e me pediu para entrar em contato com o irmão dela que tinha sofrido um grave acidente e ela precisava saber se ele estava em paz. E quando finalmente vieram para conversarmos com o irmão dela o velho tinha tido um derrame. Levei muito tempo para descobrir que o avô dela já tinha morrido a muito tempo e estava sendo possuído por um anjo. O que o mantinha vivo. O anjo tinha possuído o vô dela para fazê-la ir atrás de respostas sobre alguma coisa que tinha acontecido no passado dela. Agora está acontecendo novamente.

– Está dizendo que aquele velho estava possuído?

– É provável. Ou você acha que é coincidência ele estar lá no dia que seu carro estraga? Apenas anjos tem poder para saber quando algo vai acontecer. E assim tentar impedir ou deixar acontecer. Você disse que ele tinha um neto certo?

– Sim, ele me disse que ficava sentado na rua todos os anos na época do acidente pra ver se apareceria o fantasma de seu neto. Mas que nunca tinha conseguido ver algo até eu aparecer.

– Ele mentiu para você jovem. O neto dele não estava na rua quando houve o acidente. Ele é um dos que estavam dentro do ônibus e teve apenas leves ferimentos. Quando seu irmão Josh apareceu para ele foi para pedir que não falasse com você, entenda jovem, o anjo que possuiu Claude se chama Lucifer. É um anjo cruel, que não mede esforços para manipular e dominar alguém. Quando Claude te mandou vir aqui era o anjo que estava fazendo isso. Mas ele achou que podia me enganar também. Tenha cuidado jovem! Ele poderá aparecer novamente na forma de outra pessoa.

– Eu preciso falar com meu irmão – disse Emma chorando

– Vamos tentar então. Pegue aquele lenço azul que está atrás de você e coloque-o estendido nessa mesa na sua frente. Depois tome um copo de água, você precisa de oxigênio no seu corpo e mantê-lo hidratado. E então sente e segure minhas mãos bem firme.

Emma seguiu todas as instruções de Madame Boular.

– Pronto jovem. Feche seus olhos e pense apenas nos momentos bons que passou com seu irmão. Esqueça as brigas e tristezas. Pense apenas nas coisas boas e tudo dará certo.

Emma tentou pensar no momentos felizes que tinha tido com seu irmão. Porém a imagem do acidente não saía de sua cabeça. Madame Boular começou a tremer, assustada Emma soltou as mãos dela e levantou da mesa.

A Madame então ficou imóvel. Olhava fixamente para Emma. então começou a sorrir lentamente.

– Olá Emma! Vamos brincar?

– Madame Boular? A senhora está bem?

– Ela está bem sim, bem morta. Estou sentindo sua carne podre. Nossa como fede.

Madame Boular começou a ficar com aparência de morta. Uma luz então saiu de dentro dela. Emma teve que fechar os olhos. Quando abriu novamente Madame Boular estava endurecida no chão e um homem estava de costas olhando para fora através da janela.

– O que você fez?

– Eu acabei com o sofrimento dela – disse o homem. Ele vestia um terno azul e calças sociais pretas. Seu sapato brilhava. O cabelo preto estava bem penteado e parecia ter gel. O homem tinha um rosto muito bonito.

– Quem é você?

– Eu sou aquele que chamam de Diabo. Prazer!

– Não sabia que o Diabo usava roupas de gente normal. Cadê seus chifres?

– Eu sou o Diabo não um touro. Quem te disse que uso chifres? Não me responda. Então Emma, já descobriu a verdade?

– Que verdade?

– Do dia do acidente. Eu sei que sua memória está ruim faz um certo tempo.

Após o diabo dizer isso Emma começou a tentar lembrar de coisas sobre sua vida. Mas não conseguia, era como se tudo tivesse sido apagado.

– Deixa eu ajudar você Emma. Você estava doente. E por isso teve que se separar do seu irmão. Você ia fazer um tratamento. Quando tinha melhoras o hospital te liberava para o aniversário do Josh. No dia do acidente você tinha ficado pior. Ligaram para sua madrasta e pediram para ela levar Josh para se despedir de você porque não iria passar daquela noite. Josh ouviu a conversa as escondidas e resolveu pedir ajuda pra mim. Ele queria que você sobrevivesse e em troca ofereceu a vida dele.

Emma não conseguia pensar. Começou a chorar desesperadamente. Não acreditara no que acabara de ouvir.

– Você é o diabo!! Você mente! Como eu vou saber que isso é verdade e não apenas um truque seu?

– Emma, eu não minto o tempo inteiro. E minha missão é apenas torturar os humanos. As vezes uma verdade é tão torturante quanto. Esqueça tudo o que conhece de sua vida. Foi tudo uma mentira montada por mim. Como parte do acordo que fiz com Josh tinha que mantê-la longe da verdade. Então criei ilusões visuais e fiz um verdadeiro cenário de filme para fazê-la acreditar que o que você vivia era real.

– Não, isso não é verdade!

– Me conte Emma. Além dos aniversários de Josh o que mais lembra de ter feito nos últimos anos?

– Eu…Eu não lembro de nada. Mas lembro que vim para comprar o presente do Josh e ir para o aniversário dele.

– Aceite Emma. Você estava morrendo. Seu câncer tinha avançado. Te fiz acreditar que tinha vindo aqui para o aniversário de Josh, que o carro quebrou. Josh tirou o motor de seu carro. E isso fez com que você se sentisse assustada por estar ali sozinha. Claude me emprestou seu corpo. Quando vi que você estava indo em direção a ele percebi que meu plano tinha dado certo. Entenda, estava planejado. Você tinha que estar aqui. Assim como Josh tinha que estar no acidente. Lembro que fiquei segurando-o no mesmo lugar até o ônibus bater.

– Você é cruel!

– Depois de 2 anos do contrato eu tinha obrigação de te contar a verdade. Josh tentou me impedir. Veio até mim e implorou para que eu deixasse você acreditar que tudo tinha sido um acidente. Mas até mesmo para o diabo isso é muita crueldade. As outras crianças do acidente já estavam mortas também. E a manchete do jornal também foi minha culpa. A única coisa real foi o ônibus e as crianças dentro dele.

– O neto de Claude…

– Oh, sim, eu precisava te convencer que Claude precisava de sua ajuda. Inventei a história toda. O neto dele estava dentro do ônibus, e após o acidente todos sobreviveram. Agora nesse exato minuto o neto de Claude está no funeral dele. Para ele a história é diferente. Para ele o que aconteceu foi um acidente com o ônibus que tinha batido num poste. Ser o diabo as vezes é um pouco complicado Emma.

– Me deixa em paz!

– O que você viu foi o que eu quis mostrar para você. O que o neto de Claude viu, é o que realmente aconteceu. A morte do seu irmão como acidente foi apenas para convencer você. O que aconteceu de verdade aí já é outra história.

– Como ele realmente morreu?

– Na noite que você deveria ter morrido e que ele veio me pedir ajuda fiz ele prometer segredo eterno. Ele escolheu morrer dormindo. Toque em minha mão e verá a verdade.

Emma tocou na mão do diabo e como um filme pode ver tudo o que realmente tinha acontecido. Aquilo tinha sido demais para ela. Seu coração começou a acelerar.

– O que está acontecendo comigo?

– Oh, esqueci uma parte…

– O que está acontecendo comigo?

– Quando seu irmão morreu, o contrato dele começou a expirar. Hoje é o dia de sua morte Emma.

– Está dizendo que meu irmão morreu a toa?

– Estou dizendo que sou o Diabo. Não me importo com vocês. Apenas convenço-os de que posso ajudar para conseguir suas almas para mim. A alma de Josh era muito pura. Ele levou dias decidindo se realmente me chamaria para pedir ajuda. Todo contrato tem prazo de validade. E quando acaba tudo volta como era antes.

– Meu câncer voltou?

– Sim.

– Tenha piedade de mim! Acabe com meu sofrimento agora!

– Está pedindo isso pro cara errado. Você não fez nenhum contrato comigo, e enquanto viveu tentou ajudar a todos. Não posso interferir nisso. Sua alma pertence a aquele que outrora me expulsou do paraíso. Você vai para um lugar diferente Emma. Não há nada que eu possa fazer.

– E se eu fizesse um contrato com você?

– Eu me recuso.

– Mas você é o diabo!

– E você é fiel. Eu não faço contratos com desesperados. Porque depois me irritam pedindo para revogar. Mas se te serve de conforto posso ficar conversando.

Emma já não aguentava a dor. Pedia morfina para o diabo.

– Feche os olhos Emma. Vou te contar algumas histórias.

O diabo então começou a contar histórias de quando era um anjo e de seu momentos no paraíso. Emma foi para o sono eterno com sensação de tranquilidade. O diabo a cobriu com um lenço branco e desapareceu.