Culto do Rei (Um Tributo)

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O ar gelado lhe toca a face
Suaves dedos de um anjo morto
Doce assopro, o aroma verde
Um olhar fixo em cima do corpo

Mas olhe para o céu, veja-o brilhar
Uma estrela negra agora será
O homem que vendeu o mundo
Sem capa e ainda um heroi
Um rebelde no espaço sua vida constroi

Mortais choram sangue no dia próximo
Tempestades de espinho os cegam agora
Costas eretas e braços erguidos ao máximo
Em uma cena semelhante ao culto de Pandora

Veja-os agora libertos do sofrimento sem fim
Usando a dor como inspiração para belas historias
Uma ressurreição do rei eles pedem em coro
Gritam o nome de Lázaro com euforia
Não conseguem acreditar que o rei agora está morto.

O Amor Com Uma Taça de Vinho

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Sentado na escuridão
O vinho amargo na língua
Sua enorme cicatriz na mão
Mostrava a ignorância da vida

Um homem ou dois os lábios tocou
Uns sete provavelmente ele amou
A vida repleta de toques e desaprovação
Olhares raivosos que vinham em sua direção

Em seu quarto imaginava o mundo perfeito
Olhava as estrelas, sentia a terra respirar
Uns tapas então levou apenas por ser do seu jeito
Apenas por ser um humano que sabia amar

Numa noite namorava ao som da chuva
Dois homens chegaram carregados de ódio
Com capacetes enormes, um deles usava luva
Olharam o amor e então atiraram a sangue frio

Um deles caíra no chão, sua mão no peito
O outro chorava enquanto os via partindo
Se perguntava o motivo de tal preconceito
O mau com os olhos vidrados estava rindo

O amor olhava o mundo agora vazio
Pegou um copo com vinho afinal
Uma gota de tristeza no seu rosto caiu
Olhou para ele, enfim em paz, seu funeral.

Originalmente escrito dia 25 de janeiro de 2016 por Annie Bitencourt