Você

Muitas vezes na minha vida escrevi contos e poesias para me libertar de sentimentos confusos que ficavam presos na minha mente. Sentimentos esses que uma hora eram apenas confusões, mas em outros momentos coisas extremamente negativas. Muitas poesias eu escrevi derramando gotas de lágrimas que se misturavam com a tinta da caneta e deixaram aquela leve cicatriz no papel. Muitos contos de terror foram criados na tentativa de libertar os meus próprios monstros internos.

O filme Sociedade dos Poetas Mortos muito me inspirou a sentir coisas que eu já não me permitia sentir. Por muito tempo eu me identificava com o personagem do Robert Sean Leonard. E nem tive uma educação tão rígida assim, mas meus sentimentos se sentiram presos da mesma forma por anos.

Hoje eu tenho 25 anos de idade, alguns monstros foram domesticados, outros continuam gritando mas coloco uma música e deixo-os perdendo a voz lentamente enquanto abafo esse barulho. Mas talvez eu esteja lidando da forma errada. Talvez eu precise ouvir o que eles querem falar comigo. E jogar isso no papel, que de forma modesta digo que é o que faço de melhor.

Sou péssima para lidar com sentimentos. Sejam meus ou de outros. E sou pior ainda em me expressar perante tais sentimentos. Muitas vezes senti vontade de gritar de volta para as vozes que me silenciavam. Senti vontade de bater o pé no chão e olhar de cabeça erguida ao falar o que não estava gostando naquela situação. Mas eu não tive a coragem. Me permiti viver na sombra e no silêncio de quem falava mais alto ao meu redor.

Larguei a escrita por conta de vozes. Algumas vindo do meu próprio inconsciente: “Você nunca vai conseguir”, “Você não é boa”, “Você não tem o que precisa pra chegar onde quer chegar”, Você isso, você aquilo, você… você… você….

Minha vida é um filme mas o roteiro não é meu. A direção não é minha. Mas me fazem acreditar que estou no controle pois minha foto estampa o poster de divulgação. Mas a verdade é que estou cansada de atuar nesse filme. Agora eu quero assumir o roteiro, a direção, a fotografia e o que mais me permitir. E o meu maior Oscar nisso tudo será finalmente olhar para o próximo de cabeça erguida. Não mais ficar Ok com qualquer script pífio por medo de arriscar a minha própria história.

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